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lost in wonderland

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Getting things done

Maio 24, 2019

a semana que se seguiu ao diagnóstico passou à velocidade a luz, entre dentistas e hospital.

no sábado fui ao dentista fazer uma limpeza, e na segunda fui extrair o dente manhoso (lol foi preciso um cancro para ir a correr tirar o dente.. só eu 😑), e na terça tive uma consulta off the record de ginecologia, para a médica ficar (e deixar-me) a par das coisas, que os exames de rotina tinham sido prescritos por ela.

como ainda estava por descobrir se a minha ponte interferia ou não com a ressonância magnética, na quarta fui tirar as teimas. mais uma vez, foi a incansável s. que safou o assunto. como os técnicos da RM também não tinham a certeza, mandaram-me ir lá para fazer um "teste". basicamente, enfiar a cabeça dentro da máquina em funcionamento, a ver se sentia alguma coisa de anormal. o lanyard da técnica servia de controle, que ao aproximar-se da máquina, era sugado lá para dentro. quanto à minha dentadura, não tugiu nem mugiu. carta verde para a RM!

na quinta tive a consulta de anestesiologia, e foi com essa médica que tive a conversa mais produtiva das últimas três semanas, super informal e descontraída, e que finalmente me deixou sossegada da minha vidinha. falamos de tudo menos de anestesia. assegurava-me a cada 2 minutos que estava muito bem entregue, eu às tantas devo ter interiorizado isso, que saí do hospital a sentir-me com menos duas toneladas de peso em cima.

quando cheguei a casa e contei isto ao homem, responde-me, muito presunçoso, "basicamente, aquilo que te ando a dizer há uma semana".. it's funny cause it's true 😅 

e finalmente na sexta, às 7.40 estavam-me e enfiar na monstruosa máquina, deitada de barriga para baixo, num ninho muito confortável e quentinho. tava a morrer de sono porque não tinha pregado olho e tinha um "xanny" no bucho (prescrito pelo psiquiatra, hem!!), quase que me deixei dormir durante o exame, com aqueles batuques ritmados da máquina. meia hora depois, estava feito. não foi tão chato como estava à espera.

agora, uma semana para saber o resultado da ressonância.

Os culpados

Maio 22, 2019

torna-se numa obsessão encontrar os culpados, especialmente quando os nossos factores de risco são mínimos,

mas.. mas.. mas.. sou "jovem" (cof cof), tenho sido sempre saudável, é raro ficar doente (a não ser da cabeça muahhaha), tenho o peso, massa gorda e imc normais, não fumo, não bebo álcool, faço uma alimentação variada e que considero saudável, pratico exercício físico, sem ser do sol e dos monitores dos pcs, nunca levei com radiação no peito, e tenho 0 casos de cancro (seja ele qual for) na família directa... ok, tomei a pílula uma porrada de anos, e não tive filhos ou amamentei.. mas é SÓ ISSO!!!

uma pessoa fica furiosa com o próprio corpo, claro que fica! seu grandessíssimo camelo, trato tão bem de ti.. as batatas fritas, os donuts e os palmiers que sacrifiquei.. as horas que perco a malhar no ginásio quando podia estar muito bem esticada ao comprido no sofá a ver séries.. e é isto que recebo em troca??

A triste realidade é que,

“60-70% of people with breast cancer have no connection to these risk factors at all, and other people with risk factors will never develop cancer.”

in Risk Factors - National Breast Cancer Foundation

seriam os produtos de higiene pessoal? os ingredientes impronunciáveis dos shampoos, dos cremes, dos anti-transpirantes? seria de anos e anos a beber água engarrafada em garrafas de plástico? seria cozinhar a comida em panelas anti-aderentes? seria da pílula (que pelos vistos era das piorzinhas)? seria do cheiro plásticos do material de campismo, ou do carro ao sol? seria do wi-fi? das torres dos telemóveis? seria de usar soutien com armação?

seria....? seriam...? seria...?

a mente não pára, e é um exercício francamente inútil porque ninguém sabe ao certo porque é que aquilo aparece... temos a qualquer momento, gaziliões de células no corpo a dividirem-se de forma ordenada e controlada. só que por vezes, podem ocorrer alterações no código genético da célula durante a sua divisão, e a célula resultante ficar "avariada". ainda tem que dar muitas voltas (tipo aprender a camuflar-se das defesas do corpo), para conseguir instalar-se confortavelmente a fazer a sua vidinha, e criar uma situação potencialmente complicada.. ou então não, e até pode nunca vir a dar chatices. se existe uma situação onde ter "sorte" ou "azar" se aplica, é nesta..

também já me disseram que, julga-se existir uma relação entre o cancro da mama e um período de stress emocional muito intenso, como a morte de alguém que nos é muito próximo, um divórcio, um despedimento, uma daquelas situações que nos deitam abaixo...

eu não acredito em bruxas, mas de facto, desde o início do ano que o universo não me dava descanso. foi o carro, foi o gato adoeceu, foi o falecimento inesperado de um familiar, fui eu que aterrei, foi o homem que aterrou... andava à 5 meses em permanente estado de stress e ansiedade, com picos bem tramados... claro que pensando bem, se assim fosse, todàgente à face da terra andava à batatada com o cancro [e os estudos que têm sido feitos ainda não conseguiram provar a ligação].

[por enquanto] não se sabe. não vale a pena gastar energia atrás de suspeitos onde enfiar as culpas. essa energia é preciosa para os meses de tratamentos que se seguem.



e porque não quero causar pânico com os meus receios infundados,  

ingredientes dos produtos de higiene e beleza
embora a sua associação ao cancro ainda não seja clara, alguns químicos utilizados neste tipo de produtos causam desregulação endócrina, que pode interferir com o nosso sistema hormonal.  
a industria está bastante regulada no que respeita à utilização destes químicos, para que as marcas não ultrapassem as quantidades determinadas seguras. mas mesmo em pequenas doses, o uso continuado dessas substancias causa alguma preocupação. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês)

o EWG’s skin deep e o INCIdecoder são duas bases de dados onde podemos consultar os ingredientes que compõem os produtos de higiene e beleza que usamos.

anti-transpirantes que contenham alumínio
os estudos que têm vindo a ser feitos sobre este tema não conseguem demonstrar a relação entre o uso destes produtos e o risco aumentado de cancro da mama. aprofundar o tema aqui (inglês) 

água engarrafada em garrafas de plástico
existem estudos demonstram que os químicos presentes nos recipientes de plástico podem passar para o seu conteúdo, mas são em quantidades muito pequenas, e geralmente consideradas seguras. apesar da controvérsia, ainda não existe evidencia clara que utilizar recipientes em plástico cause cancro. até porque os BPAs estão por toda à parte e é muito difícil evitarmos contacto com a substancia. aprofundar o tema aqui (inglês)

contraceptivos hormonais
aqui a porca torce o rabo..está provado que a utilização da pílula combinada aumenta o risco das mulheres desenvolverem cancro da mama e cervical. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês)

cozinhar em panelas anti-aderentes
apesar de se considerar que a exposição às substancias anti-aderentes não é muito significativa, ainda se está a tentar perceber o seu impacto na saúde humana. aprofundar o tema aqui (inglês)

cheiro forte a plástico ( carro ao sol, material de campismo)
pois.. parece que andar a sinfar o benzeno não é uma coisa lá muito aconselhável. aprofundar o tema aqui e aqui (inglês) 

rede celular e wi-fi
têm-se feito muitos estudos científicos, mas até à data não existem provas em concreto. aprofundar o tema aqui , aqui, e aqui (inglês)

usar soutien com armação
não existe evidencia cientifica que o prove. ler mais (inglês)

resumindo, when in doubt, throw it out!

Let's get this party started

Maio 20, 2019

[ continuação desta manhã ]

assim que a s. (gestora oncológica) leu o relatório da biópsia, pegou no telefone e fez uma chamada que desencadeou um processo tão rápido que ainda hoje não parou de me surpreender. e o meu caso nem parecia ser nada por aí além. imagino que se fosse grave, teria levado um terço do tempo que levou. é impressionante ver uma equipa tão bem orquestrada, e tão empenhada em nos tratar da saúde.

dez minutos depois estava sentada diante uma médica especialista em senologia. examinou-me minuciosamente, e fez-me um interrogatório gigante sobre o meu historial de saúde. comecei a ouvir a falar em cirurgia (EEEEEK!!), quando ainda estava presa no loop "como é que arranjei esta merda?", ao que ela às tantas responde, de forma bastante honesta que,

"teve azar"

oh well... depois fiquei presa noutro loop, igualmente impossível de responder, "tão mas se encontraram este, quem é que me garante que não tenho, ou vou ter mais?”.

apesar da médica me assegurar a cada 2 minutos que o meu cancro estava sossegadinho no seu lugar, que para já não ia a lado nenhum, porque ainda não tinha adquirido a capacidade de se tornar invasivo, e que não ia precisar de fazer quimioterapia, eu não estava muito convencida... sei lá se durante a cirurgia não encontram mais qualquer coisa manhosa, ou o relatório da patologia traz más noticias? eu sou como s. tomé, preciso de ver para crer!

às tantas prestei atenção à folha de requisição de consultas e exames que ela estava a preencher, e deixei-me de loops quando li “psiquiatria” na lista. aproveitei logo para cravar uma consulta, se não a ansiedade matava-me primeiro que qualquer facção de células rebeldes a conspirar para me invadir o corpo. a médica achou muito bem.

depois veio a conversa da preservação de fertilidade1, pois existe um programa gratuito para doentes oncológicos. muito agradecida mas, "não vai ser necessário". se aos 38 não penso ter filhos, aos 44 ou 45 muito menos.. ocorreu-me algo que já vi relatado por algumas mulheres que não queriam ser mães, mas que quando surge uma situação em que de repente se vêm privadas dessa possibilidade, mudam de ideias. eu não mudei.

voltei ao gabinete da gestora com uma batelada de consultas e exames para marcar, e análises para fazer. ela tratou rapidamente de marcar aquilo tudo, e na mesma altura fiz logo o RX ao tórax, o ECG, e as análises. fiquei de descobrir se podia fazer a ressonância magnética, por causa da ponte dentária. ia ser o meu trabalho de casa durante aquela tarde.

aquilo era informação a voar por todos os lados, e eu a apanhar do ar... VÁ LÁ que o homem estava comigo e tomou as rédeas da situação. começou a anotar tudo e mais alguma, e a fazer checklists para que não escapasse nada. ainda guardo com muito carinho a nota que ele criou no google keep.

e numa manhã, o meu futuro a curto prazo estava traçado.

agora, descobrir se o material da ponte que tenho cravada na dentadura interfere com a máquina da ressonância magnética!

ao início da tarde estava a fazer chamadas para o consultório do dentista onde há 23 anos instalei a dita, a ver se por um milagre ainda tinham o meu processo. como seria de esperar, tal coisa já não existia, mas deram-me algumas informações que foram úteis na minha demanda. próximo passo, tentar falar com o laboratório de próteses que ainda estava no activo. telefonei para o sitio errado, mas apanhei um técnico que me disse que também fizeram muitas pontes para o meu dentista, e de acordo com a minha descrição, disse-me quais eram os materiais que certamente teria na boca. bom, a busca terminou ao fim da tarde, com a minha sis a ir ao laboratório do técnico que fez a minha ponte, mas também não havia ficha. e o dentista, ficamos a saber, mudou-se para outras paragens e teria levado tudo com ele. dead end!

entretanto tínhamos ido à clínica dentária onde o homem costuma ir, ver se algum dos dentistas me conseguia safar a coisa. fui atendida por uma dentista muito atenciosa e competente, que apesar de não conseguir responder à minha dúvida sem tirar a ponte para fora (nem pensar lol), reparou naquele desgraçado que me inchou a cara no ano passado (ah poizé! a isa não tinha chegado a tratar do assunto), e avisou-me que não era grande ideia iniciar tratamentos oncológicos com problemas nos dentes.. ops!

quando finalmente regressamos a casa, depois de um dia de emoções tão intensas, correias loucas, hospitais, dentistas, e telefonemas a dar cum'pau, estava de rastos.

a parte chata era que, sem nada que me ocupasse a mente, não parava de cismar "não estou a sonhar, esta merda tá mesmo a acontecer".. tava difícil de assentar, a ideia..



1 a preservação de fertilidade é um direito geral oferecido pelo SNS a todos os doentes oncológicos em idade reprodutiva, que corram o risco de infertilidade devido à doença ou aos tratamentos oncológicos. se o doente desejar ter filhos, deve falar com o médico sobre esta questão, de modo a ser rapidamente encaminhado para um centro de reprodução assistida. este processo deve acontecer antes de se iniciar qualquer tratamento oncológico.

A confirmação

Maio 17, 2019

tinha passado duas semanas inteiras com ansiedade em full-time, e a ter ataques de pânico como quem solta gás depois de enfardar cozido de grão, porque pronto.. não consigo evitar de fazer aquela pesquisazinha no google (eu tentei, juro que tentei!!), porque comecei logo a fazer projecções, e porque recebi a notícia que um familiar (da família estendida, mas não interessa) tinha falecido com aquilo que eu poderia ter.. 

mas por acaso uma conversa com a minha sis, dois dias antes, tinha-me metido as ideias no lugar, e feito acreditar que tal coisa não ia acontecer comigo.. era só um susto. ninguém na família (directa) alguma vez teve daquilo, eu não ia ser a primeira. que “não és assim tão especial”, dizia-me ela a brincar.

vai daí, foi com grande descontracção que naquela manhã entrei para o gabinete da médica de imagiologia, para me entregar os resultados da biópsia. ia convencida que ela ia apenas dizer-me para repetir a mamografia dali a uns tempos, para controlar a progressão do achado, ou coisa assim.

da breve conversa que tive com ela, apenas consigo recordar,

"...é pequenino, mas é maligno e tem que sair rapidamente"

a alma esbardalhou-se-me aos pés... 

a realização de que a minha vida tem um prazo de validade atingiu-me como se fosse um relâmpago, e o meu instinto de auto-preservação mandou um coice imediato. o choque da descarga de adrenalina fez-me doer o corpo todo, e perdi-lhe o controlo. o coração disparou, o estômago torceu-se todo, comecei a ter dificuldade em respirar, a suar e a tremer ao mesmo tempo, e a ter vertigens. não conseguia registar o que me estavam a dizer, o som estava distante e distorcido, e a visão turva e escurecida. sentia-me numa espécie de transe.

apesar de atordoada, consegui manter a compostura (nem sei como). perguntei à médica o que se seguia (sabia lá.. o mais importante não pesquiso eu na net XP). ela começou a falar mas eu não estava a conseguir apanhar nada, e deve-se ter apercebido disso, porque pegou em mim e levou-me uns metros à frente, até à porta de uma pequena sala onde eu já tinha passado tantas vezes e nunca tinha reparado. e disse-me, "quando a s. chegar, ela trata-lhe de tudo!"

naquele compasso de espera, tava a fazer os possíveis para me manter controlada, e não ter mais um ataque de pânico, tipo daqueles que dois dias antes me fez ir a correr às urgências. um dos meus piores pesadelos estava a materializar-se. sempre achei que não era uma questão de "se", mas sim, "quando"... mas honestamente, jamais esperava que fosse TÃO cedo. lá prós 50, talvez.. nunca a meio dos 38!!! W.T.F.

e não é que eu não estivesse preparada para aquele cenário.. eu estava preparada para aquele cenário desde o momento que a médica pediu-me para repetir a mamografia. simplesmente não existe preparação psicológica possível para digerir aquelas palavras com ligeireza.

o meu lado racional tentava meter ordem no barraco, "devias mazera tar a dar pulos de contente, que'ssa merda foi apanhada a tempo!! não é para isso que fazes exames de rotina??". mas o emocional tava-se bem a cagar, "interessa lá se é pequeno, se é grande. o que interessa é que está. cá!!" nunca tinha sentido uma bipolaridade tão intensa dentro da minha cabeça. parecia duas pessoas completamente diferentes, aos berros e safanões uma com a outra.

BI-RADS 6... parabéns, alcançaste o nível máximo!

A biópsia

Maio 10, 2019

o cúmulo de uma ideia de merda: meter-nos a ler sobre macro biópsias assistidas por vácuo orientadas por estereotaxia, quando temos uma agendada para fazer...

OMFG, vou passar meia hora, MEIA HORA!!! prensada na cabrona da máquina, enquanto uma agulha grossíssima me escarafuncha o interior da mama, comigo acordada. PUTA QUE PARIU!!!

eu e a minha curiosidade mania de querer estar sempre preparada para o que me espera.. e por azar, são as pessoas que têm más experiências, que normalmente as relatam. e li muita coisa que não achei piadinha nenhuma. e se uma pessoa já anda uma pilha de nervos, fica em total estado de calamidade...

não vale a pena esconder.. estava completamente aterrorizada quando entrei no gabinete da mamografia, onde ia fazer a biópsia, logo às 7h45 da manhã, para começar bem o dia. tremia violentamente e de forma incontrolável, apesar de estar a fazer os impossíveis para descontrair. não havia como fugir, aquilo tinha que ser feito, mais valia aceitar de uma vez por todas e deixar de me preocupar. até estava a fazer piadas com a situação, mas definitivamente não era eu que estava no controlo do meu próprio corpo.

o procedimento até é relativamente simples. a pele é desinfectada, aplicam anestesia local, ajudam-nos a deitar de lado numa marquesa, estrategicamente posicionadas junto ao mamógrafo, onde vamos ficar caçadas durante o posicionamento da sonda e a recolha de amostras. e fiz a única coisa que podia fazer, preparei-me para o pior lol cerrei os olhos, e assim fiquei durante o procedimento todo.

assim que aquilo começou a apertar, eu já não sentia nada. nem notei a incisão para o agulhão entrar, ou o agulhão a entrar sequer. a médica avisou-me que ia ouvir uns disparos, para não me assustar. 

continuava a tremer como se estivessem -20ºC na sala, volta e meia a médica pedia-me para tentar ficar o mais imóvel possível, para a sonda não falhar o local. tinha que fazer um esforço sobre-humano para impedir o corpo de sacudir. a técnica que levou o cagaço do meu desmaio na semana anterior, estava de olho em mim que nem um falcão, sempre a certificar-se que eu estava acordada.

não achei a posição tão desconfortável como estava à espera, e não me incomodou por aí além do tempo que passei entalada na máquina. estava sempre à espera de sentir dor ou quem sabe, umas picadinhas, mas... nada! e se eu sou caguinchas com estas coisas. a única coisa que senti foi uma leve pressão no interior da mama, quando a sonda andava lá a fazer o trabalho dela. tanto medo, tanto terror, e vai-se a ver, aquilo não custou absolutamente nada.. não vou dizer que é uma coisa agradável de se fazer, mas para mim, arrancar um dente é bem pior. até me senti envergonhada das figuras que fiz.. enfim..

fui-me vestir e quando voltei ao gabinete, reparei na sonda ensanguentada, e nas técnicas muito atarefadas a preparar as amostras (pareciam pedaços de bacon muhahaah).. fiquei surpreendida por não me ter sentido mal lol

aqui tive a primeira realização da tecnologia brutal que os médicos têm ao dispor para o diagnóstico e tratamento desta maleita. fiquei impressionada com o equipamento da biopsia. é assim pró genial. o médico tira duas mamografias de referência, e a partir delas, diz à sonda onde ir picar. e a sonda faz o trabalho todo. no fim, enfiam por lá o clip para marcar o local biopsiado. e tá feito!

aproveitei para levantar o exame da semana anterior. o relatório concluía com BI-RADS 4b... 15 a 50% de probabilidade de malignidade. não são más notícias.. mas também não são boas..

A primeira pergunta que me fazem

Maio 07, 2019

"como é que descobriste isso?"

numa mamografia de rotina.

"mas fazes esses exames de rotina por algum motivo? tens casos na família?"

não.

"mas és tão nova..."

parece que não é muito comum as mulheres (sem predisposição genética ou factores de risco) fazerem mamografias de rotina antes dos 40 ou 45, que é quando começamos a receber cartas para participar nos rastreios - e que são opcionais.

mas acontece que eu tenho um grande respeito por esta doença (e um medo filha-da-puta dela), e sei que quanto mais cedo lhe crasharmos na festa, melhor é o prognóstico. por esse motivo, sempre tive muita atenção à minha saúdinha, e se há coisa que levo a sério, são as minhas consultas e exames de rotina anuais.

foi num desses exames, que o médico de imagiologia me fez saber que devia fazer a primeira mamografia entre os 35 e os 37. oh sôdotor, venha ela, tudo a que tenho direito!
na altura, aproveitei o tema e a porta aberta para o gabinete de mamografia para ir tirar as medidas à máquina mais temida pelas mulheres, o mamógrafo. as técnicas que lá estavam foram impecáveis e explicaram-me como é que a coisa se proporcionava. tava longe de imaginar a relação íntima que, anos mais tarde, viria ter com aquela máquina muhahahah

anyway, porque a primeira mamografia (aka, mamografia de referência) vinha assinalada com BI-RADS1 3 (cortesia dos quistos de estimação na mama direita), tive que fazer uma ecografia de avaliação seis meses depois, e uma nova mamografia dois anos após a primeira. sem stress!

eis que chega o dia. já tava praticamente despachada daquela rotina por mais uns tempos, quando ao terminar a ecografia, a médica diz-me que tenho que ir repetir a mamografia na mama esquerda, com ampliação, porque está ali qualquer coisa suspeita que não aparece na eco, nem na mamografia de referência.. OI?!?!?!

...e eu pensei cá para mim, "já foste!", é o que dá não acreditar em coincidências. só com aquela sugestão, fiquei lívida, a cabeça numa confusão, a tentar pensar em tudo, e a não conseguir pensar em nada. até à data, a esquerda nunca me tinha dado preocupações.

pela segunda vez naquela manhã, estavam-me a ensanduichar na máquina do demo. mal a técnica desaparece por de trás da consola, senti-me a apagar, mas foi tão rápido que não consegui avisá-la. quando voltei a mim, não só estava numa situação algo embaraçosa.. e tinha metade do hospital à minha volta, tal não foi o estardalhaço que fiz ao cair.

olha que giro, desmaiei! it’s true what they say, há uma primeira vez para tudo na vida lol. felizmente, conseguiram sacar a mamografia a tempo, não tive que repetir. puf!

a ampliação não deixava margem para dúvidas, tava ali uma pequena constelação de microcalcificações2. segundo a médica, na maioria dos casos não têm significado, "mas vamos biopsiar para ter a certeza"... well, fuck!

o primeiro exame que eu nem por isso tinha curiosidade em fazer... BAH!



1 BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System), é sistema de classificação do resultado dos achados numa mamografia. vai de 0 a 6, sendo que 0 o exame foi inconclusivo e deve ser repetido, e 6 está provado através de biópsia que o achado é maligno. a categoria 4 divide-se ainda em três, 4a, 4b, e 4c. este sistema serve para clarificar a interpretação dos resultados entre o pessoal médico, e tem recomendações específicas para cada categoria.

ler mais sobre BI-RADS em inglês / português


microcalcificações são pequenos depósitos de cálcio que aparecem nas mamografias como pontinhos brancos. são resultantes de processos, a maioria dos casos são benignos, que vão ocorrendo com o envelhecimento natural do tecido mamário. quando apresentam características suspeitas de malignidade, é necessário fazer uma biópsia.

ler mais sobre micro/calcificações (inglês)

Cenas

Maio 03, 2019

faz hoje um ano, que durante um exame de rotina tive uma surpresa pouco agradável (para ser simpática): um conjuntinho cretino de células cancerígenas tava-se a preparar para me dar chatices. apanhei um cagaço valente.. mas tive uma experiência super positiva, conheci pessoas incríveis, e sofri uma série de mudanças de mentalidade que me fizeram sair desta história muito mais forte (fede a cliché, eu sei.. 😑). 

demorei muito tempo a tentar decidir se queria mesmo trazer este assunto aqui pro blog. porque é informação demasiado pessoal (e nunca se sabe o que segundos e terceiros podem fazer com ela), porque comparado com a grande maioria, o meu caso não era nada de especial, e porque cenas... mas porque li, e especialmente porque me asseguraram que é muito importante falar sobre estas coisas (beijinho Cat), que acontecem a mais pessoas do que imaginamos, e lidamos melhor com elas se não nos sentimos sozinho/as.

e apercebi-me que sim, que faz todo o sentido falar sobre isto. deve-se falar sobre isto. eu própria às vezes sinto isso, que gostava de falar com alguém que tivesse passado pela mesma situação que eu, mas não conheço ninguém (sem ser por de trás do anonimato num fórum internacional, onde somos mais que muitas). não sei se é apenas característica do tuga ou se é mal da espécie em geral, mas nós não gostamos muito de falar sobre assuntos cabeludos quando nos calha a nós próprios, a nossa cena é meter o bedelho onde não é chamado e mandar bitaites.

portanto, mil perdões a que não tem estômago para o tema do cancro, tal como eu não tinha até à um ano atrás (realmente, a vida dá umas voltas muito engrassadas), mas vai passar a ser tema recorrente (pelo menos durante uns tempos) porque eu não tenho problemas nenhuns em falar sobre isto, porque passou a fazer parte do meu dia a dia, e pode ser que sirva o propósito da partilha: ajude alguém. 

prometo esforçar-me para não ser demasiado TMI.. mas be advised, vou falar muito sobre mamas 😆

aviso à navegação:
tudo o que publicar aqui sobre o tema, é baseado na minha experiência pessoal, na informação que os médicos que me acompanham me deram (ou que eu saquei), e naquilo que leio na internet, sendo que sou bastante criteriosa com as fontes onde consumo informação, e aplico uma boa dose de discernimento em tudo o que leio.

Cenas

Dezembro 28, 2017

ontem acordei com a garganta marada, e andei o dia todo a espirrar à maluca, e a gastar toneladas de papel. mau, queres ver que arranjaste uma constipação, ou uma puta duma gripe?

como não é muito habitual ficar doente, entro logo em modo ofensivo e tenho que descobrir que bicheza anda a atazanar-me o sistema imunitário. sou a primeira a dizer para não fazê-lo, mas sou a primeira a fazê-lo. fui a correr perguntar ao dr google (em modo incógnito, é óbvio, para não me começarem a aparecer anúncios de cremes para fungos - ou pior!!! em todos os sites que entrar) que diferenças existem entre a gripe e a constipação. o dr google, na sua infinita sabedoria, informou-me que as diferenças podem ser ténues, e nem sempre é fácil distingui-las, mas têm as suas nuances:

espirros (daqueles que quase ficamos virados avesso e provocam surdez temporária a quem tiver o azar de estar nas nossas redondezas). check

nariz entupido (litros de ranho e quilómetros de papel higiénico gastos a assoar-me, vá lá que costumo comprar do macio - folha quádrupla bitches, se não já tinha a pele em redor do nariz em carne viva). check

olhos inflamados (como se tivesse andado a saltitar por um campo de papoilas em plena primavera). check

garganta inflamada. check

a temperatura não chega os 37ºC, não há dores no corpo nem fadigas, nem arrepios de frio, nem tosse, o que afasta o cenário da gripe. mal o menos. se é constipação trata-se nas calmas com líquidos (litrosas de chá de gengibre e limão - on it), e mel para aliviar a garganta (on it - não posso abusar porque é mel de medronheiro, se não ainda apanho uma piela). para aliviar a congestão nasal, lavar as vias respiratórias com água do mar (daquela em spray, que dá vómitos quando a mistura de gosma e água salgada se escapa e escorre pela goela abaixo).

eis que esta tarde, no meio de saraivadas intermináveis de espirros e assoadelas, começo a ficar com uma comichão doida dentro do nariz, daquelas que apetece a enfiar as mãos pelas narinas adentro e coçar aquilo tudo. uai.. queres ver que nem é constipação, nem gripe, mas sim um ataque diabólico de rinite alérgica? mando um anti-histamínico para o bucho, e não é que passadas algumas horas a coisa começa a acalmar?

tão em que é que ficamos? opá!!

041 - Fazer um check-up

Janeiro 09, 2009

ok, esta teve o alto patrocínio a minha caríssima entidade patronal, que me convocou para um exame médico de alto a baixo, uma das melhores coisas que podem fazer a alguém que é assim um "nadinha" hipocondríaco he he

analises, ecg, rx ao tórax, audiograma, testes de visão, e exame médico geral. ontem andei o dia todo nisso!
tava tudo bem, excepto a visão, what else's new..não devo ter acertado quase letra nenhuma...sempre é mais uma tarefa (44) que risco, se me der para isso ^^

vá, eu admito, não foi tão completo como eu gostava que fosse. eu gostava mesmo de ser vista por dentro e por fora, e ao milímetro..um dia destes, quem sabe....por enquanto, este serve para me certificar que está tudo bem com a "máquina" :)

de qualquer modo, vou ver se peço a um médico umas análises ao sangue mais detalhadas, para ver se, entre outras coisas, descubro finalmente o que raio me corre nas veias, que a combinação de sangue dos meus pais pode resultar em qualquer um dos grupos sanguíneos..giro, ne?

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

seguir nos blogs do SAPO

drop me a line: isa [ arroba ] sapo [ ponto ] pt

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