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lost in wonderland

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Dia 1 // de Melgaço a Campo do Gerês

Abril 06, 2018

desta vez não fui atestar o depósito a espanha.. ZOMG!! quem és tu, e o que fizeste com a isa?? deu-se-me a preguiça lol mas a bomba do intermarché de melgaço tinha o gásoil a 1.19, a diferença deviam ser uns míseros cêntimos. enchemos o bucho ao cascas e partimos prá aventura. o dia não estava com um ar muito feliz, mas era o que tinhamos.

a primeira paragem foi em cevide, para ir visitar o marco nº 1 de portugal, a.k.a. o ponto mais setentrional do país. depois de ter estado no ponto mais oriental (miradouro da penha das torres), ganhei a pancada de querer visitar os extremos do reino :D

não foi fácil dar com aquilo, porque nas dicas que tinha lido, não falava em nenhum portão. e o portão ao fim da "rua" cheirava a propriedade privada, e eu não me apetecia ser corrida dali com chumbo no traseiro. mas não estivemos com meias medidas, fomos à volta, praticamente a corta-mato, por uma espécie de carreiro na margem do rio minho, por cima e por baixo de troncos caídos, e a escapar as garras das silvas. eventualmente demos com o local. 

marco n1 de portugal

o rio trancoso corria marafado e quase que metia medo atravessar a pequena ponte que liga portugal a espanha. mas se existe uma fronteira no horizonte, a isa vai atravessá-la, ainda que toda arrepiada e sem grande confiança na estreita ponte artesanal de madeira. já passei a fronteira entre os dois países em vários sítios, mas este é definitivamente interessante.

rio trancoso rio trancoso

do lado de espanha existe um marco gémeo, que também mereceu visita. tenho a dizer que tanto do lado de portugal, como de espanha, este sítio é bastante agradável.

rio trancoso rio trancoso

reza a história que se fazia muito contrabando por aqui. ouro nem sinal dele, mas o homem encontrou um pescado de plástico que trouxe de recuerdo, lol.

à vinda, seguimos pelo caminho marcado. adivinhem onde demos com o nariz? 

portão portão

..no cabrão do portão!!

dali, siga para lamas de mouro, quase a "direito", por estradas muito muito secundárias. mas também muito cénicas.

de lamas de mouro fomos pela estrada que liga várias brandas. recordamos cheios de saudades, a épica caminhada que fizemos com a sylvie pela serra da peneda, e que terminou neste planalto incrível,

peneda peneda peneda

apesar do friooooooooooo que estava, a vista continua magnifica, com os picos cobertos de neve então... adoro a peneda. adoro. adoro. adoro!

paramos em são bento do cando, para visitar o tasco que nos salvou a vida, naquela que deve ter sido a caminhada mais agressiva que alguma vez fizemos (e uma das primeiras, muito inexperiente). supostamente as brandas deveriam estar desertas no inverno, mas aquela em particular estava muito animada, com êxitos de música popular portuguesa a ecoar pela aldeia.

dali fomos até ao santuário da peneda, onde aproveitamos para lanchar e relembrar os 4 dias que ali estivemos alojados em 2009, e as peripécias pelos montes, quando éramos jovens e (ainda mais) parvos. enquanto for viva, nunca me hei-de esquecer daquela centena de degraus.. e dos carrapatos lol

já passei por soajo várias vezes, mas acho que nunca tinha parado para ver os espigueiros. foi desta!

e o último salto do dia, entrar no campo do gerês pela porta das traseiras, por uma estradinha daquelas à maneira - tipo montanha russa, cheia de curvas sem visibilidade, apertada, e que nunca se sabe quando algum bicho decide atirar-se para a frente do carro, ou quando algum calhau se desprende e nos cai em cima. uma emoção!

fizemos algumas paragens pelo caminho, uma delas para trepar um afloramento granítico majestoso, plantado no topo dum monte. tava um vento e um frio do caralho, e mesmo assim arrancamos do carro todos encasacados, de gorro e luvas, para não perder aquela vista pornográfica.

havia água por todo o lado. a chuvas de março ensoparam a serra de tal modo, que a água a brotava do chão e criava pequenos regatos. era preciso *muito* cuidado para não atascar os pés na água ou na lama.

estivemos pela primeira vez no campo do gerês em 2014 e saimos de lá cheios de vontade de voltar. a pousada de juventude ficou-nos debaixo de olho, e apesar de já sabermos que não é o tipo de alojamento mais confortável do mundo, foi a nossa escolha. 

nessa noite jantamos com o recepcionista da pousada, e um alemão muito bem disposto, que andava a conhecer o gerês à pata. nós dois e o alemão éramos os únicos hospedes da pousada naquela noite. fomos a um tasco à beira da estrada, chamado café turismo, só sei que o meu bife estava altamente!

a noite estava agreste. estava um frio tão sacana que gelava a alma, e um vento tão forte, a afunilar pelo meio da montanhas, que parecia que estávamos no meio de um túnel de vento, até assustava. o alemão só fazia piadas com o frio que estava no quarto. e estava, aquele aquecimento central já levava um upgrade. o homem só dizia que da próxima vez que irmos de férias no inverno, temos que levar o termo-ventilador. não tinha sido má ideia, não senhor : /

definitivamente, adoro a peneda. pela magnificência das paisagens, pela solidão dos montes, pela natureza quase em estado bruto. mas a altura ideal para tirar o melhor partido dela, é no final da primavera, não no início. apetece mesmo palmilhar aquelas montanhas, e aqueles planaltos, e explorar os cursos de água que atravessam vales, e admirar os animais que vamos encontrando pelo caminho, entretidos na pacatez da vida deles. por falar nisso, o homem ficou cheio de pena por não ter visto nenhum lobo lol

mas pena, pena, tive eu, que o dia esteve absolutamente merdoso para tirar fotos..

 

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Dia 0 // de Lisboa a Melgaço

Abril 04, 2018

é matemático. quando digo que temos que sair de casa no máximo às "tantas" horas, saímos sempre 3 horas depois. tenho que começar a fazer contas com esse desfasamento, humpf!

ou seja, em vez de nos fazermos à estrada ao meio-dia, eram três da tarde quando finalmente entrámos na A1.

na verdade, para aproveitar bem o primeiro dia de férias, até porque queria visitar uma aldeia que fica lá pros lados donde judas perdeu as botas (mas que por acaso ficava numa das opções de caminho), o ideal teria sido sair de casa às 10 da manhã, não ao meio-dia.

mas sair de casa às 10 ia acontecer tanto como acertar nos 7 números do euromilhões do sorteio seguinte. não só ia sair da cama a essa hora, como ainda tinha uma porrada de coisas para fazer, tipo limpar a casa, ir a lavandaria, acabar de arrumar a tralha para a viagem, abastecer o carro e verificar a pressão dos pneus... talvez se não tivesse chegado do algarve as três e meia da manhã na noite anterior, as coisas teriam sido um bocadinho diferentes.. ou então não!

cheguei a melgaço, às oito da noite, toda rebentada. da primeira vez que fiz aquela viagem foi no chasso, pergunto-me como é que sobrevivi a tal provação lol 

a escolha do hotel monte prado não foi ao acaso. já lá tínhamos estado em 2007, para uma experiência pouco convencional (para nós), passar o natal num hotel. gostamos bastante das instalações e da zona, e andámos anos a dizer que havíamos de regressar.

infelizmente já não chegamos a horas de atacar o spa, e tão necessitada que eu estava, depois de quase cinco horas agarrada ao volante. ficamos ainda mais tristes quando soubemos que um dos melhores banhos turcos onde já cozemos ao vapor, tinha sido desactivado... ohhhhhh pá!! não se faz isto às pessoas :'(

só sei que estava tão cansada da viagem que mal consegui comer nessa noite. uma pena, que o bacalhau com broa estava realmente delicioso..

antes de encostar a cabeça nas almofadas e dar o dia por terminado, estive a confirmar a rota para o dia seguinte, a ver se por milagre, conseguia encaixar a uma passagem na tal aldeia. mas em todas as projecções, a coisa entrava sempre por caminhos que eu não queria seguir, por isso, e muito a contragosto, acabei por abandonar a ideia. há que deixar estrelas a brilhar no mapa, para futuros regressos anyway :D

não me lembra quanto pagamos pela estadia na outra vez (e como foi durante o natal deve ter sido inflacionado) mas 37€ por um quarto duplo num hotel de 4*, com pequeno incluído é uma promo do caraças!! foi a estadia mais barata das férias.

tirando o desgosto do banho turco, o hotel continua impecável, e à parte do a/c ruidoso (abençoados tampões para os ouvidos) proporcionou uma boa noite de descanso.

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 5

Abril 27, 2016

infelizmente não dava para esticar mais, o algarve estava à nossa espera. não só porque havia um sobrinho prestes a vir ao mundo, como aquele certame magnifico que eu não perco por nada deste mundo, e que me faz ter problemas de espaço na arca frigorifica durante uns tempos, a feira do folar de barão de são joão. grande timing, o do puto!

começamos a longa despedida de trás-os-montes com uma paragem rápida para admirar o castelo do algoso cá de baixo. parece minúsculo, mas não deixa de ter um ar completamente badass. muita coisa marada devem ter testemunhado aquelas muralhas. consigo imaginar gente a rebolar por aquele penhasco abaixo que é uma alegria. até oiço wilhelm screams LOL

castelo de algoso castelo de algoso

depois passamos por vimioso para ir comprar umas alheiras. dali seguimos para a feira do folar de izeda. eu tenho uma "cena" com feiras do folar, tá visto. tinha reparado no cartaz no restaurante em mogadouro e pensei que era uma pena não conseguir ir... mas consegui muhahahh win \m/

a caminho de izeda, uma breve paragem para apreciar a ponte romana. não que tivesse visto poucas nos últimos dias, mas são bonitas e não me matava perder uns minutos, estando tão perto da passagem.

ponte de izeda

aqueles folares é que não são bem a minha cena, salgados e cheios de enchidos, mas é a tradição dali. saímos da feira carregados com dois folares enormes, um pão de azeite, bolos económicos, mel, mais alheiras e um chouriço de mel. tudo caseiro. not bad!

feira do folar de izeda feira do folar de izeda

dali seguimos por estradas de curvas intermináveis até ao tua, algumas duas horas de tortura ao volante. ainda que tivéssemos que fazer umas quantas paragens para apreciar as vistas, que aquilo é pornográfico. mesmo.

Untitled Untitled

quando finalmente cheguei ao topo do tua, cujas curvas quando vistas do mapa, dão assim um certo frescor na barriga, já vinha tão anestesiada que nem dei por elas..

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para mais tarde recordar, que este vale daqui por uns anos vai estar cheio de água..

e do tua fomos ao pinhão. e eu consegui escolher a pior estrada de todas, por ser a mais curta. uma municipal que segue pelo meio dos socalcos de vinha, onde só cabe um carro (e mesmo assim, o google andou por lá, ah valentes). foi agressivo, mas o pior ainda estava para vir..

quando chegamos a casal de loivos, havia a indicação que pinhão era pela direita.

"mas o GPS diz que é pela esquerda" insiste o homem. 

ora essa, se o GPS diz, quem sou eu para duvidar!

pois... devia ter duvidado, pela longevidade saudável do meu coração...

não sei se alguma vez me vou esquecer do terror que foi descer a rua da calçada. uma rua em calçada já muito polida, estreita, que desce 300 metros quase a pique pelo monte abaixo. eu lembro-me de uma estrada parecida àquela, na madeira. mas muito mais curta e muito menos assustadora. se me falhassem os travões, só parava a meio do douro.. mas lá que era cénica, era!

foi triunfal, para que nunca me esquecesse da dureza daquela terra, e do que sofrem as populações para se deslocarem de uns sítios para os outros. do pinhão até régua, pela nacional 222, conhecida por ser a estrada mais agradável do mundo para conduzir, foi um doce. uma recompensa à maneira pela minha resistência.

n222

paramos em peso da régua para ir comer qualquer coisa, que ainda não tínhamos almoçado e a fome era mais do que muita, e aproveitar para comprar mais recuerdos. desta vez vinho, que o homem não queria sair dali sem um par de garrafas das terras do grifo, a quinta que mais nos impressionou na viagem toda. uma paisagem daquelas tinha que ter um sabor do outro mundo, pena eu não conseguir atinar com vinho :(

e foi ali, sentados no bar da estação de comboios de peso da régua (funny story lol), a "lunchar", que demos a odisseia transmontana por terminada. cansadíssimos, cheios de pena por ter acabado, mas a rebentar de emoção pela épica dimensão do passeio.

achava eu que podia acordar nos confins do norte de portugal, e ir dormir nos confins do sul de portugal, mas ter misturado a viagem de regresso com passeio, foi demasiado. quando cheguei a casa às onze da noite já tremia por todos os lados e não era de frio. tinha que descansar umas horas antes de fazer mais três centenas de km..

notas finais, em jeito de resumo:

a quem goste de turismo da natureza, aconselho plenamente uma demorada viagem por trás-os-montes e alto douro. tem áreas incríveis de paisagem em estado bruto, áreas agrícolas cuidadosamente geridas, vida selvagem, transborda história e tradição, as gentes são genuínas e gastronomia deliciosa.

o meu roteiro foi definitivamente ambicioso para o cinco dias, e apesar de ter tentado optimizar a viagem ao máximo, existem sempre coisas que nos escapam. ou porque demoramos mais tempo nalgum sitio e fica tarde, ou porque surgiu mais um ponto de interesse, ou porque demoramos mais tempo nas deslocações que o suposto, entre outros detalhes que não temos em conta quando se planeiam viagens.

as duas zonas que mais tinha interesse em conhecer, o montesinho e douro internacional, merecem ser devidamente desfrutadas. três dias no montesinho seria o ideal, já o douro internacional + planalto mirandês, precisa de quatro ou cinco. e apesar de ainda assim ter conseguido ver muita coisa, (como é costume) regressei com a sensação que ficou muito para trás.. algo que não é necessariamente mau :)

sofri um bocado ao volante, com tanta curva e subida e descida, e estrada apertada. mas adorei cada minuto, cada um dos mil quilómetros, assim como cada golfada de ar puro que inspirei, cada vista que queimei nas retinas. voltava (voltei!) para lá a correr :D

apesar dos inúmeros cantinhos que ainda me faltam pelo meio, é uma honra conhecer portugal de norte a sul, de de este a oeste. era um desejo antigo, que finalmente vejo realizado. temos um país fantástico, vale tão a pena explorá-lo.

last but not least, o registo fotográfico completo da passeata está no sítio do costume

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 1

Abril 03, 2016

é indescritível, o acordar na casa da árvore. a roupa macia da cama e as almofadas fofinhas proporcionaram-me uma noite de sono fantástica e dormir suspensa é capaz de ser das melhores sensações de sempre. a casa oscila ao de leve, embalada pelas correntes de vento e até pelos passos. a tranquilidade do cenário natural, a luminosidade filtrada pelos ramos das árvores, as nuvens a deslizarem pelo céu azul... BLISS!!

não. lamento. eu não vou sair daqui nunca. aliás, eu quero mudar-me praqui e passar o resto da vida em frente a esta janela. boa sorte em me arrancarem daqui. é bom que chamem um reboque. ou melhor, dois!

o pequeno-almoço foi tomado muito apressadamente que eu queria voltar para o meu ninho quentinho da árvore, para desfrutar cada segundo que restava. mas o tempo não pára e a hora de check-out acabou por chegar. o homem telefonou para a recepção para pedir boleia, e eu despedi-me demoradamente do melhor quarto de "hotel" onde já estive. nem mesmo o 22º andar de madrid o consegue superar a casa da árvore.

ainda ficamos umas horas pelo parque. primeiro fomos dar um longo passeio por aquele cenário idílico, depois tivemos mais uma horinha no spa, e por fim, alinhamos numa iniciativa que estavam a promover por ocasião do dia da árvore. plantamos uma faia, em honra das faias de manteigas :)

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pode-se dizer que deixamos lá raízes. e prometemos voltar para acompanhar o crescimento da rapariga :)

depois de um "até breve" ao parque das pedras salgadas seguimos caminho. subimos até chaves, passando por todas as terrinhas cujo nome reconhecemos de rótulos de água gaseificada.

gostei bastante do coração de chaves. das ruas apertadas e das casas rústicas, do contraste das pontes, da pacatez do tâmega, da vista desafogada que se tem do castelo, dos parques. é uma cidade pitoresca, cheia de história, um postal vivo a cada recanto. tão agradável de visitar.

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ao fim da tarde seguimos em direcção ao destino do dia, tuizelo, já no parque natural de montesinho. sempre com paisagens de cortar a respiração no horizonte e muitas, muitas curvas. mal sabia eu que as curvas iam ser o prato dos dias seguintes…

a casa onde ficaríamos alojados nessa noite pode ficar para lá de onde judas perdeu as botas, mas foi um verdadeiro achado. perfeitamente enquadrada no cenário rural da pequena aldeia transmontana onde se situa. a decoração não podia ser mais castiça, totalmente rústica mas de um tremendo bom gosto. uma ode às grandes casas de fazenda do antigamente, quase que proporciona uma viagem no tempo. não bastasse o ambiente fantástico, como ainda fomos recebidos com uma hospitalidade quase desconcertante.

e como estava praticamente vazia pudemos escolher o nosso quarto. visitámos 4 ou 5 antes de decidirmos o eleito (era só o mais giro da casa toda).

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descobrimos que por ali janta-se cedo, e que apesar da vila de vinhais se intitular capital do fumeiro, não tem muitos restaurantes. tivemos uma certa dificuldade em encontrar sítio para jantar, mas lá filamos um lombinho de porco com batata-frita numa tasca. o cheiro do fumeiro, se havia, não o sentimos, para nosso grande desgosto.

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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Trás-os-Montes e Alto Douro // dia 0

Março 31, 2016

por causa de uns distúrbios na força, só no domingo é que começamos a nossa roadtrip pelo reino maravilhoso. às contas disso, a serra do alvão, que era susposto ser o ponto de partida, ficou para trás e avançamos para a fase seguinte.

seguimos rumo a norte já com três horas de atraso, o que chutava a previsão de chegada para volta das 5 da tarde, quase ao anoitecer e um dia perdido. mas isso já eu adivinhava, é o que a casa gasta.

conduzir na A24 é uma tormenta. e não por causa do carrossel de subidas e descidas, mas porque não posso desviar os olhos da estrada e a paisagem que se desenrolava a cada km é de ir com o queixo de rastos. é nestas alturas que gostava de ser o pendura.. aquilo sobe que é uma alarvidade e passa por zonas de montanha lindíssimas. os ouvidos é que não acharam piada à altitude.. estive "debaixo de água" durante bastante tempo, apesar dos meus esforços.

depois de atravessado o imponente viaduto de vila pouca de aguiar, o nosso destino não tardou muito a revelar-se: o pedras salgadas spa & nature park.

para começar as férias em grande e à francesa! ia finalmente riscar a posição número um da minha to do list de alojamentos. desde que descobri a existência daquele "resort" que andava mortinha para experimentá-lo. mas a distância e a dificuldade em conseguir uma data para firmar a escapadela andavam a arrastar a coisa indefinidamente.

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depois de cumpridas as formalidades na recepção, o carro ficou no estacionamento do parque e fomos conduzidos num golf cart até ao nosso domicilio, a casa da árvore. pelo caminho fomos recebendo informações sobre o parque e sobre as instalações que tínhamos à nossa disposição.

atribuíram-nos a casa número um, a mais alta e com o passadiço mais comprido. e ali estava eu, a percorre-lo lentamente, a saborear cada paço a caminho do meu prometido paraíso suspenso.

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quando entrei, ia-me dando um fanico. a casa é tão gira, tão acolhedora, tão genialmente construída. não é muito grande mas é perfeitamente funcional: à entrada uma pequena kitchenette e em frente o bengaleiro, a casa-de-banho é dividida entre dois espaços, ambos com luz natural providenciada por uma pequena clarabóia, uma salinha com mesa e sofá (que também é cama), e em frente a uma janelona e por baixo de uma clarabóia, a jóia da coroa:

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a decoração é simples e sóbria, em tons neutros e orgânicos, a combinar com a atmosfera daquele lugar mágico. e confortável, tãoooooooo confortável.

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não estivemos sozinhos durante muito tempo. pouco depois da nossa entrada apareceram duas funcionarias para fazer a "abertura de cama". enquanto uma colocou dois "tapetes" junto à cama, com os chinelos de quarto perto, a outra preparou-nos uma bandeja com água quente para o chá e bolachinhas. já disse que o recheio da kitchenette era à descrição? águas (com e sem gás), cafés, chás, e chocolate quente.

agradeci o chá, mas o que eu queria mesmo era enfiar-me no spa e só restava uma hora para fazê-lo. por isso, mal elas saíram, saímos nós também!

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e soube. TÃO. BEM. depois de ter passado quase cinco horas a conduzir. tanto a sala de banho turco hammam, como da a sauna, são das melhores onde já estivemos (se não as melhores mesmo). grandes e espaçosas, com a temperatura no ponto. a piscina aquecida tinha a água mais límpida que alguma vez apanhei num spa e sem cheiro a químicos. o corredor de marcha foi uma novidade interessante. fartei-me de marchar nele lol

apesar de termos seriamente considerado pedir o jantar servido na treehouse, acabamos por ir até ao restaurante do parque, cuja ementa era mais variada. mas eu nem desfrutei bem a refeição, de doida que estava para voltar para o ninho.

escusado será dizer que tivemos uma das melhores noites da nossa vida. e a casa abana mesmo. e com bastante facilidade. 'nuff said :D

 

* estadia patrocínada pela minha estimada conta bancária

 

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Na semana passada aprendemos que...

Março 28, 2016

- existe em portugal continental uma região com estradas tão ou mais lixadas como as da madeira;
- quando se olha para o mapa em trás-os-montes, por muito curto que um trajecto pareça, nunca julgar que determinado sítio fica "logo ali"..ouch!
- o nome trás-os-montes assenta que nem uma luva a trás-os-montes, tudo fica atrás de um monte;
- trás-os-montes é a região mais sexy de portugal: só curvas e protuberâncias;
- aquele sinal de perigo que avisa que veados podem atravessar a estrada não é mito, os veados (ou corsas) existem mesmo e atravessam a estrada quando menos se espera (sim, eu sei que o sinal significa animais selvagens, não só veados);
- em trás-os-montes todas, mas todas as cidades, vilas, aldeias, e povoados têm no acesso principal um pequeno altar com um santo/a e uma cruz de pedra enorme;
- as aldeias e os pequenos povoados podem não ter uma caixa multibanco, mas quase todas têm um museu;
- (esta já sabíamos mas confirmamos) a arquitectura portuguesa das casas típicas é *bem* mais pitoresca e charmosa que a espanhola;
- e por mais remota que seja a povoação, existem habitações a serem recuperadas e nota-se o esforço por manter a traça das casas o mais autêntica possível;
- aliás, o feel que fiquei é que aquela região ainda está em bruto, incrivelmente preservada, quer em natureza, história e tradições;
- existe uma desertificação brutal em algumas zonas, houve dias que não chegámos a ver crianças nem jovens;
- pombais... pombais everywhere!!
- a posta mirandesa é deliciosa mas a costeleta de vitela consegue ser ainda mais decadente;
- não sou fã da receita dos folares transmontanos (perdoem a heresia desta algarvia habituada a bolos de massa doce e densa, cujo recheio são ovos cozidos com casca e não enchidos de fumeiro);
- os transmontanos não se deixam intimidar pelo declive dos montes, aproveitam-nos até ao impossível para plantações de vinha e oliveira;
- em termos de área de cultivo, trás-os-montes rivaliza com o alentejo, acho que nunca vi tanta terra trabalhada;
- o douro é um rio pacato porque está todo estrangulado por barragens, mas aquelas escarpas e meandros que ele cavou na paisagem antes dos humanos lhe deitarem a mão denunciam um passado brutalmente selvagem;
- por falar em barragens, não conheço outra zona com TANTA barragem;
- aquela que é considerada a melhor estrada do mundo para conduzir, é de facto umas das estradas mais agradáveis onde já conduzi;
- a a24 deve ser a auto-estrada mais cénica de portugal continental;
- no que toca a morfes, o tripadvisor é teu melhor amigo, mas se te falhar sempre podes perguntar aos locais.. ou ir ao bar da estação ferroviária mais próxima;
- é impossível conhecer trás-os-montes em cinco dias :(

transmontanos, a vossa terra é lindaaaaaa!! cinco dias não foram suficientes para ver tudo o que havia para ver, deixei muitos assuntos inacabados e muitos pedacinhos de coração espalhados por esses montes. preparem-se para a enxurrada de posts :D

 

lost in... trás-os-montes e alto douro >

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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