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lost in wonderland

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Gerês // dia 3

Abril 09, 2012

chegou finalmente o dia de caminhar YAY!!

 

eu estava no gerês, eu ia subir à mina dos carris. com ou sem guia, fim da discussão!
com as minhas pernas e o homem em melhores condições, fomos atacar um dos pontos mais emblemáticos da serra.

voltámos a utilizar o atalho espanhol e aterrámos na portela do homem *muito* mas *muito* mais tarde do que o planeado. para quem queria fazer-se ao monte no máximo até às 10 da manhã, era 1 da tarde quando começámos...

 

1 da tarde!

 

malucos de merda... aquilo não podia correr bem. anyway, adiante que se faz tarde - literalmente!

 

ora o primeiro km e meio já nós conhecíamos, a partir dali foi rumo ao desconhecido. o caminho começou a piorar gradualmente e a subida era cada vez mais acentuada. começava a morder. 

Untitled

levávamos hora e tal de caminho quando nos cruzámos com dois caminheiros que vinham de regresso. dois dedos de conversa e ficámos a saber que aquilo estava uma tristeza. tudo seco e não se viam animais (era disso que eles andavam atrás, para fotografar). perguntámos se faltava muito para a mina, pois não tínhamos gps e não estávamos a controlar as distâncias com precisão (tínhamos apenas uns screenshots do mapa com a visão geral do percurso).

 

"quando chegarem à próxima ponte estão mais ou menos a meio do caminho"

 

whaaaa... eu já estava meia morta e ainda nem metade do caminho tinha feito?? PQP!

lá continuámos. a dada altura o caminho deixou de ser um caminho para se tornar num rio de pedras soltas que dificultava imenso o andar. as pausas eram cada vez mais frequentes para tentar recuperar o folgo.

 

mas a paisagem que íamos descobrindo à medida que subíamos era avassaladora :D

 

Untitled

levava duas horas de caminhada quando comecei a ficar convencida de que não estava fisicamente preparada para aquilo, e devia desistir antes que começasse a sentir-me mal. não queria o homem a ter que carregar comigo monte abaixo por aquele caminho horroroso. 

 

às três e meia da tarde deu-se a derradeira paragem. pela espécie de mapa que tínhamos dava para perceber que ainda faltava cerca de um terço do percurso, que àquele ritmo era coisa para levar quase uma hora.. e sem esquecer que ainda tínhamos que regressar..

 

quis desistir.

 

tava completamente exausta, não tinha folgo nem forças para continuar. sentia-me incapaz de subir 1km, quanto mais 3.. o marido ainda me perguntou se tinha mesmo a certeza que não conseguia, que já sabia que eu ia ficar toda picada por ter desistido.

mas aquilo há muito que tinha deixado de ser divertido, e como estava a demorar mais que o previsto. corríamos o sério risco de ter que descer o vale praticamente às escuras, o que seria uma grande estupidez da nossa parte.

 

estivemos por ali mais um bocado a descansar e depois voltamos para trás... 6km de pedras soltas para descer.. joy!

 

entretanto topámos umas cabras montanhesas de olho em nós, lá bem no alto da montanha!

cabras 

..e para baixo os santos nem por isso ajudaram. o ritmo até podia ser mais acelerado, mas a corrente de pedras era bem mais perigosa, era preciso ter atenção redobrada onde púnhamos os pés. inevitavelmente, os joelhos e os tornozelos começaram a ressentir-se. eu, que não costumo ter problemas nesse departamento, já vinha manca.

 

sair dali sem um entorse foi quase um milagre!

 

parámos a cerca de 2km do fim, para descansar numas piscinas naturais providenciadas pelo leito do rio homem. muito, muito, muito agradáveis.

chillin' 

bom, mas como ainda andámos alguns 12 ou 13 km naquele dia, mesmo sem atingir o objectivo, declaro aquela uma boa caminhada. pelo menos intensa foi.

 

(btw, uma semana depois continuo a achar que tomei a decisão certa em desistir.. sei que há uma coisa chamada adrenalina que faz coisas incríveis.. still, pôr a nossa integridade física em risco por uma teimosia é simplesmente idiota)

 

dali regressámos a pitões, onde chegámos ao entardecer. o marido foi novamente à procura da cache e eu aproveitei para tirar umas fotos da aldeia. depois meti-me no carro e fui estaciona-lo mais acima para apreciar o quadro que tinha diante mim.

 

o anoitecer estava absurdamente bonito. ao azul já escuro do céu misturava-se os últimos tons púrpura e laranja do ocaso e a muralha negra de granito a recortava dramaticamente o horizonte.

 

como estava cansada e as pernas doíam-me, deixei-me ficar no carro e desci os vidros das janelas. estava frescote mas não corria ponta de vento. nada mexia, nem sequer as plantas. a aldeia lá ao fundo estava igualmente imóvel e silenciosa, ouviam-se apenas uns passaritos.. 

 

e naquele instante pareceu que o tempo parou!

 

fui invadida por uma paz de alma tal que não encontro palavras para a descrever.. não conseguia pensar em nada sequer, parecia que estava em transe. um raro momento íntimo entre mim e o universo... 

 

...até que o homem gritou lá do fundo que lhe fosse levar a lanterna que ele tinha encontrado o buraco da cache e arrancou-me daquele estado zen... bastard!

 

voltámos ao restaurante do dia anterior e a ementa mantinha-se: vitela e bacalhau.. ou enchidos.

 

nessa noite jantámos sopa, pão, queijo, presunto e enchidos de pitões, que não me apetecia bacalhau e já não podia mais com vitela he he he

 

e quando estávamos quase a chegar à estalagem, vimos o coitado do monte ao lado do nosso em chamas.. odeio incêndios..

 

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Gerês // dia 1

Abril 03, 2012

acordei com o hóme cravado na sanita, a vomitar as entranhas.. muito provavelmente cortesia da sande que tinha comido no dia anterior, na AE. começamos bem.. not :P

 

na estalagem, o pequeno-almoço é servido numa sala com uma vista panorâmica de cortar a respiração. não conseguia descolar os olhos do horizonte, enquanto me questionava quanto tempo precisaria eu para calcorrear aqueles gigantes de granito todos (..e se teria tin-tins para tal).

 

por volta da hora de almoço, o marido já estava a sentir-se melhor mas como as minhas pernas ainda estavam doloridas da mini-maratona não quis meter-me em grandes aventuras. por isso em vez de nos equiparmos para a serra, decidimos ir conhecer duas das aldeias mais castiças ali da zona: pitões das júnias e tourém

 

entretanto, mal entrámos na estrada experienciámos aquilo que se iria tornar o prato principal do dia: engarrafamento de vacas!

vaquinhas

 

one does not simply go through a herd of cattle.. é preciso esperar que elas reparem que estamos ali e decidam afastar-se para o outro lado da estrada.. normalmente é coisa para demorar.

este primeiro encontro teria corrido bem, se não fosse o cão que vinha a acompanhar a manada, meter-se a correr desarvorado atrás do carro durante umas boas cententas de metros... ODEIO quando os cães fazem isso. é um perigo para eles e para o condutor.. vai na volta é por causa disso que encontrámos tantos a "coxear"..

 

à entrada da aldeia, esperar que a manada número 3 e 4 passassem. era eu a recuar e elas a virem cada vez mais para cima.. às tantas desisti e deixei-me estar quietinha.. fechar o vidro que não quero cá cumprimentos.. e pedir aos santinhos que não se roçassem no carro nem me arrancassem um espelho.. não tenho medo delas, sei que são animais pacificos.. tenho é muita estima pelo meu carrinho!

 

antes de me cruzar com a manada número 5 mudei de direcção e entrei numa rua que ia ter ao mosteiro e à cascata, que por ser mais longe, ficou para o fim. 

os incêndios não têm dado tréguas à serra.. a paisagem está desoladora..

quando chegámos a meio do caminho para a cascata, eis que surge uma escadaria de madeira.. fixe!


NOT!

 

aquela provação nunca mais tinha fim, o meu reino por um caminho de cabras.. depois chegámos finalmente ao miradouro e a vista era isto:

cascata de pitões das júnias

whaaaa... ficamos desiludidos. claro que ficamos! 

então descemos aquilo tudo para ficar tão longe da cascata, que pitosga como ando, custava a vê-la? siga lábaixo!

 

se este tivesse sido um inveno decente, não tinhamos conseguido aproximar-nos tanto.. corre praí aos niveis de agosto..

cascata de pitões das júnias

 

pronto. descer não foi dificil... e subir?

 

quando alcançamos o miradouro já vínhamos os dois todos estropiados, com os bofes a sair por fora. agora *só* faltavam umas quantas centenas de escadas até apanharmos o caminho de volta ao carro.

parecíamos umas tartarugas.. arrastámo-nos a muito custo escadaria acima, a ter que fazer paragens a cada lanço. távamos exaustos e mortos de sede.. é que para piorar a coisa, tava um calor dos diabos.

 

dizer que estávamos em péssima condição fisica é estar a ser simpática.. os próximos dias adivinhavam-se tramados!

 

por sorte, no topo da escadaria corria um regato de água límpida, e foi mesmo ali. queria lá saber donde vinha.. era água e tava bem fresquinha, exactamente o que estávamos a precisar!

 

lição nº1 do dia: mesmo que o passeio seja curto, levar sempre uma puta duma garrafa de água atrás!

 

depois de recuperados daquela estafa, fomos até à aldeia, morder o ambiente. não se via ninguém nas ruas, mas tivemos uma interacção interessante com os nativos, num café/restaurante. aquela malta não se acanha, mesmo na presença de estranhos :D

pitões tem uma localização fora do comum. é cercada por uma muralha natural de granito cujas formas que impõem um certo respeito. ao por-do-sol aquela aldeia é qualquer coisa.. mas sobre isso falo no post mais à frente. 

 

próxima paragem: tourém

tentámos entrar pelas "traseiras", através duma estradita que sai directa de pitões, mas ao chegarmos à aldeia galega de requiás, acagacei-me* e achei que o carro não passava naquelas ruas tão estreitas. decidi meter a marcha-atrás e retomar o acesso "oficial".. temos pena! 

(entretanto fui ao google maps e o carro do street view andou por lá, o destemido.. segui o trajecto e não me arrependo de ter voltado atrás :D)


tourém 

é uma aldeia espantosa, provavelmente repleta de história. para começar, fica situada num apêndice que rompe por espanha adentro. pôe-nos a pensar como conseguiram os habitantes dalí manter aquele pedaço de território português, ao mesmo tempo que mantêm relações sãs com os vizinhos galegos.. tem um acesso para portugal e três para espanha. é brutal!

as casas mantêm a traça original e estão bem conservadas, o que lhe dá aquele charme de aldeia perdida no tempo. pena a cota da barragem de salas estar tão embaixo, seria o postal perfeito.

 

a expressão popular "fica atrás do sol posto" assenta que nem uma luva a tourém.

uma grandessíssima falha da nossa parte foi durante a estadia na parada do outeiro fartármo-nos de passar por lá, sem nunca pararmos para ir explorar. ficámos-lhe a dever uma visita mais demorada.

 

foi ali onde apanhámos os engarrafamentos mais assustadores. entrámos pela aldeia adentro, já a medo porque naquelas ruas só passa um carro de cada vez, e demos de caras com as manadas número 5, 6 e 7 do dia.. só viamos vacas pela frente. e mais uma vez a isa rezava aos santinhos para que o cascas saisse dali sem mazelas, a mirá-las pelo retrovisor e a ver que faltava um bocadinho assim para ter que entrar em despesas.. a cada passada que elas davam junto ao carro, toda eu tremia.

 

lição nº2 do dia: não entrar com o carro em tourém às seis da tarde!

 

depois de circularmos a entrada em espanha a norte, demos o dia por terminado. de regresso passámos pela manada número 8 do dia.. esta era muito diversificada. não só vinham vacas como também ovelhas, cavalos, e burros.. tudo muito descontraído da vida :D

o verdadeiro inconveniente das vacas andarem nas estradas nem é tanto os engarrafamentos, com isso posso eu muito bem.. o problema é o rasto de bosta que elas deixam por onde passam. quando o carro atropela as "minas", aquilo é projectado para todo o lado e ficamos com esterco agarrado até às entranhas do carro.. ao fim do dia tava todo badalhoco, coitado..

anyway, as estradecas por onde andei naquele dia deixaram-me deliciada. estreitas, piso em condições aceitáveis, sem muito movimento, curvas q.b. e uma paisagem lindissima w00t

nessa noite jantamos bacalhau assado!

 

* já tou queimada com essa coisa de meter o carro em sítios por onde ele custa a passar e/ou não passa mesmo, é que tira-lo da ratoeira é o cabo dos trabalhos, não ganho para o susto.. assim de repente vem-me à memória castelo de vide, évora, alegrete, loriga, gibraltar, e o parque de estacionamento do saldanha residence.. agora quando me cheira que a coisa vai ficar apertada, dou logo meia-volta ao cavalo, fim de história!

 

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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