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lost in wonderland

lost in wonderland

Não sei que raio de bicho é que mordeu no homem..

Outubro 17, 2014

..que nestes últimos meses deu-lhe pro cinema hipster.. perdão.. indie.. whatever!

 

dos filmes que tem arranjado, uns dão-me vontade de ir a correr buscar os papéis do divórcio por me ter sujeitado a autênticas cagadas em três actos, outros deixam-me overwhelmed com sentimentos esquisitos que tenho dificuldades em digerir.. mas no bom sentido!

 

o que aprecio neste tipo de filmes é que são geralmente muito simples, decorrem a um ritmo muito calmo, sem grandes pressas de chegar a lado algum.. tipo, saboreiam o momento. não há cgi, apenas grandes actores, argumentos brilhantes e poesia em forma de imagens.

also, aprendi que não são para se ver em qualquer altura, é preciso estar no mood certo.. pelo menos comigo. bom, aqui ficam alguns que vi e adorei:

 

the kings of summer

 

simples, bonito e divertido, embora com um twist amargo. três amigos adolescentes decidem fugir de casa e passar o verão juntos, isolados do mundo.

é uma espécie de hino à liberdade e ao regresso às origens. muito bem filmado, cheio de cenas em slow motion, momentos kodak, e flares, como manda a lei :)

 

the way way back

 

estupidamente real, simplório e.. feio! pessoas feias (imo lol), cenários feios e antiquados. para além disso está repleto de situações desconfortáveis, daquelas que não conseguimos ficar imunes.

um adolescente com problemas de auto-estima e dramas familiares q.b… umas férias que têm tudo para correr mal, mas que se safam às contas de um tipo que parecia ter um parafuso a menos.

 

only lovers left alive

 

da primeira vez que me passou pelos olhos, não lhe liguei nenhuma, vampiragem não é a minha cena..

daí que quase, quaaase me escapou, não fosse algo curioso ter sucedido: uns meses depois ouvi uma música na rádio que me despoletou uma estranha reacção na mioleira: só conseguia pensar no filme!

devo ter associado a letra ao tema ou qualquer coisa do género.. o problema é que a música ficou-me no ouvido e não descansei enquanto não voltei a vê-lo.

 

a melhor forma que encontro para descrever este filme é uma pintura em movimento. abusa nas cenas paradas e em câmera lenta, que o torna muito calmo e sonolento.. quase que nos hipnotiza. o guarda-roupa e os cenários sombrios e decadentes transbordam detalhe e as cores muito saturadas, que mudam conforme o ambiente e as personagens conferem-lhe uma beleza surreal. o toque final é dado pela desconcertada banda sonora, que combina na perfeição com a estética do filme.

 

retrata basicamente a nostalgia exacerbada de dois seres imortais, extraordinariamente inteligentes e sensíveis, que se não se alimentassem de sangue e dormissem durante o dia, nunca os diríamos vampiros.

duas personagens que nos seduzem facilmente pelas suas personalidades vincadas e tão opostas uma da outra. enquanto um tem sérios problemas em lidar naquilo em que o mundo e se tornou, a outra, mesmo após tantos anos de existência continua verdadeiramente maravilhada, excitada e apaixonada pelas coisas belas da vida. complementam-se na perfeição e nutrem um pelo outro uma paixão incondicional e intemporal.

 

o argumento contém doses generosas de sarcasmo, que por vezes providenciam cenas de humor inesperadas, e diálogos que nos aguçam a curiosidade sobre o percurso daquelas duas almas pelos séculos passados.

 

tracks

 

outro daqueles que nos deixam lavados em lágrimas no final. é adaptado de um livro sobre a aventura verídica de uma mulher que decidiu largar tudo e lançar-se numa caminhada solitária de 2700km pelo deserto australiano até ao oceano indico.

 

praticamente dois terços do filme é uma pessoa a andar sozinha na vastidão das paisagens avermelhadas e ressequidas do outback, acompanhada apenas pela sua cadela e quatro camelos selvagens domesticados por ela própria. pelo meio, os encontros imediatos com as gentes locais, as breves companhias, os perigos e a exaustação física e mental que teve que enfrentar. 

 

a actriz principal, a mia wasikowska (que por acaso também entra nesse aí de cima) carregou com o filme todo às costas. tinha a missão de transmitir-nos a determinação, a coragem, a dureza e a solidão daquela jornada insana, e não se saiu nada mal. e os bichos que a seguem nesta aventura são adoráveis. nunca me passou pela cabeça achar isto de um camelo.. os camelos deste filme são adoráveis e melhores que muitos actores que andam por aí. nunca mais vou conseguir chamar "camelo" a alguém..

 

o filme é extremamente simples, básico e aporcalhado… e ao mesmo tempo tão puro e tão belo, que até arrepia. e faz-se acompanhar por uma banda sonora que se entranha e lhe dá uma profundidade ainda maior.

a única critica que lhe faço é na fotografia. o deserto australiano teria beneficiado de uma saturaçãozinha extra para fazer sobressair os tons avermelhados ainda mais e fazê-los contrastar com o azul do céu. mas é suposto ser um filme antigo, e seco.. o filme tem uma cor que dá sede :)

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tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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