Dia 3 // Madrid y Mallorca

[zomg, daqui a nada tamos no final do ano e eu ainda não despachei os posts das férias 😱]

o terceiro dia começa logo a partir da meia-noite, e foi loooooooooongo. quase tão longo como vai ser esta posta muhahaha

então às 00:01 de domingo, estávamos a curtir o concerto de depeche mode à distância. havia que guardar com a vida os lugares porreiros que sacamos para ver NIN em todo o seu esplendor. estávamos junto da grade do corredor central, a cerca de 10 metros do palco. podíamos ter ido mais para a frente, mas sucede que nos dois últimos concertos que fiquei na linha da frente, quase que dei cabo dos ouvidos.. portantos neste queria estar num sitio onde o som não saísse demasiado forte (custo a acreditar que escrevi isto.... 😭), o mais centro possível do palco, para ter a mesma intensidade de som em cada ouvido. basicamente, triangulei ali a posição perfeita para ouvir o trent reznor e a sua electrónica desconcertada a guinchar, sem ficar surda.

anyway, agradeci aos deuses da música por aqueles dois palcos monstruosos do madcool estarem tão próximos um do outro, bombarem um som tão poderoso, e terem dois ecrãs gigantescos com uma qualidade do caneco, um de cada lado do palco. dava na boa para ver os concertos ao longe. e porra, que o som saia tão limpo que nem parecia música ao vivo. se o pavilhão atlântico tivesse apenas metade daquela qualidade...

o concerto depeche mode parecia numa mais ter fim. os gajos esmifraram o repertório de êxitos todo, desde os mais antigos até os mais recentes. foi épico (nada a ver com aquele que vi há uns anos no pavilhão atlântico), todàgente a arrebentar com as goelas para acompanhar as músicas.

às vinte prá uma, com uma pontualidade britânica, nine inch nails tomam de assalto o palco principal, em calças e t-shirts pretas, todas carcomidas pelas traças. a multidão passou-se, tudo a berrar, a assobiar, e a agitar as mãos no ar. eu tava com as expectativas no crl, ou não fosse por causa daquele concerto que estava ali, a 600km de casa.

desde a primeira música até à última, deram aquele que foi o melhor concerto do ano (década?) para mim.. assim como uma surpresa :D

o trent reznor é um animal em palco. agarrado ao microfone como se a sua vida dependesse dele, esgoelava-se numa angustia dilacerante, a exorcizar os demónios que se apoderam da sua alma. ao fim de meia hora já estava encharcadíssimo em suor. cabelo a escorrer água, cara e pescoço a escorrer água, todo ele parecia uma cascata, mas até ele tava a curtir a cena. lá pelo meio elogiou a recepção tão calorosa da malta, o ambiente do festival, e até as bandas que tinha visto por ali. pareceu genuinamente excitado com aquele concertalho que estava a dar.

emanava uma energia incrível do palco, produzida pela mistura do som, das luzes, e dos ecrãs. mas emanava uma energia ainda maior da multidão. 10 fãs por m², completamente histéricos, aos saltos, aos berros, a produzir um calor humano insano (a noite tava quente, mas não assim TÃO quente). eu até me benzia por temos segurado aqueles lugares, sempre conseguia respirar.. e que cada vez que soprava uma brisa era como se fosse uma dádiva dos céus!! mesmo assim, também eu estava a escorrer água por tudo quanto era poro. faço ideia de estivesse no meio daquela massa compacta de pessoas, sem ar fresco, e sem estar a um braço de distancia do segurança gostoso que andava a distribuir garrafas de água à borla. top👌

hipnotizada com aquela doidice toda, a dada altura tive uma reacção inesperada (não, não desatei a chorar como em kraftwerk). dei por mim de volta ao sudoeste, perante aquele palco imponente onde vi os melhores concertos da minha vida. as saudaaaades que tinha daquela sensação!! já me tinha esquecido o quão gosto de curtir música naquele ambiente, a céu aberto, numa planície sem barreiras a travarem o som. só que ali ainda era melhor, por estar alta calor, e eu estar de t-shirt e calções..

estive anos à espera daquele concerto, e não fiquei desiludida não senhora!! não sei como foi o de lisboa, mas aquele foi um assombro!!

o som esteve perfeito, e a setlist bastante compostinha. para partir aquela merda toda sem arranjo possível, só faltou mesmo a only. entretanto descobrimos que ele cantou a perfect drug num concerto lá pelas americas e o homem ficou todo choroso, com pena de não ter tido esse privilégio também.

quanto a mim, fiquei genuinamente espantada por saber que ainda consigo aguentar hora e meia aos saltos lol

agora tínhamos uma hora para queimar até ao concerto de underworld, e aproveitamos para ir fazer uma bucha. tava de apetites a churros, portanto fomos à procura da barraca de churros. que festival de música é que não tem uma barraca de churros e farturas? ainda por cima em espanha!

pois que este não tem, confirmamos no posto de informação… whaaaaaat? a sério? não pode… tou chocada!  tive que me contentar com um waffle afogado em nutella (blargh).

underworld trouxeram-nos aquele electro pimba olskool deles, mas já os ouço à tantos anos que me dá uma certa sensação de conforto, e tornaram o recinto numa discoteca gigante. estávamos num sitio muita fixe (ie, encostados à grade lol), que a organização decidiu abrir o recinto VIP para todos festivaleiros, mas nem todàgente reparou e não estávamos afogados em pessoas. quando acabou, lá prás quatro e meia, eu tava toda estropiada.

despedi-me do festival com intenções de voltar, e agora tinha que andar alguns dois km até à estação de metro auuuuuuuuch o homem veio o caminho todo a meter-se com a malta. até com uns putos japoneses falou :D

metro só para o centro de madrid. aeroporto só dali a uma hora, quando a linha abrisse.. bahhhhhhh, como não me apeteceu esperar, só queria era ir para o aeroporto ver se ainda arrochava uns minutos, voltamos à superfície e chamamos um uber..

(e depois aconteceu isto lol)

chegados à zona de embarque do aeroporto, aproveitamos para.. er, tomar o pequeno-almoço - no mac donalds, a única coisa aberta aquela hora. de seguida, ir ao wc tentar parecer um bocado mais apresentáveis, lavar as trombas, escovar os dentes e tal. aproveitei também para trocar os calções pelas calças, não fosse o avião estar gelado.

passar pelas brasas antes do voo foi pa esquecer, não houve tempo.. e eu que desta vez ia tão bem preparada bahhhhhhh mas assim que assentei o cú no avião, botei a máscara dos olhos e pimbas, parti choco até maiorca. parece que finalmente apanhei o jeito à cena de dormir durante os voos!

mal metemos o pé fora o aeroporto, até demos dois passos para trás com um bafalhão quente e húmido ao estilo tropical que faz no sul da ilha. puf! se já estava aquele calor às 9 da manhã, à tarde íamos conseguir fritar ovos na testa.

mal sabia eu, que o verão este ano decidiu tirar férias de portugal, e repetir maiorca foi uma daquelas ideias peregrinas que saiu bastante iluminada [eventualmente o verão, chegou a portugal, atrasado comò raio, mas até então, o tempo estava deprimente].

desta vez sabíamos onde apanhar o transfer para a centauro. trigo limpo. tivemos que esperar uns minutos, que eu aproveitei para trocar as calças pelos calções antes que morresse sufocada. mesmo ali no meio a rua :D

desta vez o homem obrigou-me a reservar um juke, que ele adora o carro e era uma oportunidade para darmos umas voltinhas num. chegamos ao escritório da centauro, "ah e tal, upgrade, peguem lá um kuga" whaaaaaaaat??? nooooooo.. "não podemos ter o juke?” perguntou o homem, com uma réstia de esperança, numa mistura de espanhol com inglês. o moço da rent-a-car afastou-se para ver se tinha algum disponível, e voltou com duas chaves. querem um branco com o depósito a meio, ou um cinza com o deposito cheio? venha daí esse cinza, que não temos tempo para perder, amigo!!

ficamos com a sensação que quando se pede o pacote nem-penses-que-largo-aqui-mil-paus-de-caução eles fazem upgrade para um carro do grupo acima. parece que foi o que aconteceu no ano passado, nós é que não percebemos. da próxima já sei, peço um do grupo a baixo, a ver se tenho sorte :D

também fizemos outra descoberta, esta não tão agradável. se alguém devolve o carro minimamente em condições, o carro mão chega a ser limpo, segue logo para a pool de carros disponíveis.

mau!

não era nada de especial, tinha algum pó no tablier, areia na mala, restos de protector nos cintos, um papel de estacionamento, e uns panascos nos tapetes. vá, não tinha sido limpo, fuckers! mas não se preocupem, próximos condutores, vou certificar-me que depois de mim, o carro segue direitinho prá limpeza!

o carro era recente, mas aquele modelo tava despido até aos mínimos obrigatórios. não tinha sensores de estacionamento, nem cameras, nem hill assist, como o fiesta, mas... mas...

ZOMG, o auto-radio sincroniza com o android, pqp habeus  spotify. FUCK YEA!!!

o próximo passo do nosso plano traçado ao milímetro, formulado cientificamente com base na experiência anterior, era seguir directos ao centro comercial ao lado do aeroporto. ir ao supermercado buscar água e outras provisões necessárias (i.e. bolachas), protector solar e after sun, e mais qualquer merda que estivesse em falta; ir à decathlon a ver se desencantava uns calções de banho que fizessem matchi-matchi com o meu colete de forças top de andar a cavalo em pranchas; e um chapéu de palha fixe.

só que chegamos lá e demos com o nariz na porta... quer dizer, o centro comercial abria ao meio-dia, mas as lojas e o supermercado estavam fechados ao domingo…nop… nós não sabíamos que ao domingo, grande parte do comercio em maiorca (e provavelmente em todas as baleares) pára..

mudança de planos on the fly, siga pro centro de palma, à procura de alternativas, alguma coisa havíamos de encontrar aberta. abancamos numa pastelaria e enquanto tomávamos o segundo pequeno-almoço do dia, tentei descobrir supermercados que abrissem do único dia sagrado da semana. havia o do el corte inglés, não muito longe. mas só abria às 11 da manhã, por isso demos umas voltas pelo centro de palma, nas calmas, a fazer tempo. mas no carro, com AC a bombar, que na rua o calor estava insuportável.. brincas!

tão lá conseguimos comprar umas quantas garrafas de água e um pano para limpar o pó do carro, que o homem não parava de cismar com a badalhoquisse do juke, e passamos numa farmácia para comprar o protector e cenas.

a parte chata é que eu estava a cair de sono, e ainda faltavam duas horas até podermos fazer check-in no hostal da dona antónia, na costa noroeste da ilha. tão ainda demos umas voltas por ali, até can pastilla morder o ambiente, e depois meti-nos a caminho de deià nas calmas. cheguei lá às duas em ponto!

a dona antónia lembrava-se de nós, mas continua com aquele ar desconfiado que só ela.

mais de 24 horas sem dormir, uma noite inteira aos saltos, um voo de madrugada, um calor abrasador, e os 85% de humidade de palma de maiorca.. nunca na vida precisei TANTO dum banho!!!

portanto, a primeira coisa que fiz mal fechei a porta do quarto foi enfiar-me debaixo do chuveiro - porque desta vez tínhamos casa de banho privada YAY nada como reservar alojamento com seis meses de antecedência e especificar exactamente qual o quarto que queremos!!

"i can think clearly now the dirt is gone" cantarolava eu, enquanto derretia a camada de nojeira que tinha agarrada ao corpo debaixo de água.

eram três da tarde e eu tava acordada há 30 horas, e já a sentir espasmos e chiliques pelo corpo todo. esparramei-me na cama, com a ventoinha apontada, e a janela escancarada. o homem juntou-se a mim pouco depois, e ferramos o galho a tarde toda.

acordamos para ir jantar, por volta das sete. xii, jantar tão cedo?? ah poizé, desta vez não nos lixam!! 

tinha dois restaurantes seleccionados, um italiano, e um mediterrânico. o italiano estava fechado. pimbas, paella!!

neste dia descobri que ADORO aioli.. zomg, é TÃO BOM!! ondé que aquela mistela andou a minha vida toda??

depois do repasto fomos dar uma volta até port de soller, onde consegui encontrar provavelmente o único tasco da ilha que vende churros com chocolate quente (não é, mas não consegui encontrar outro buáááá sacanas dos mallorquinos parece que não curtem daquela iguaria)

não fiquei grande fã do sítio. geograficamente está numa zona lindíssima, mas de resto, não tem grande charme. não é tão pitoresca como as aldeias mais isoladas, já está demasiado turist-y. mas como à noite até é um sitio bastante tranquilo, dá para dar umas passeatas bastante agradáveis.

de regresso a deià, descobrimos que o juke tinha um modo sport, tipo o turbo boost do K.I.T.T., brutalissimo para irmos parar lábaixo ao mar fazer curvas. diverti-me à brava naquela estrada :D

to be continued...