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lost in wonderland

lost in wonderland

Como é que se encara uma história destas?

Maio 28, 2019

são tantos os factores envolvidos, que duvido muito que existam duas pessoas no universo a levar isto da mesma forma. depende da natureza da doença e do prognóstico, da nossa personalidade e mentalidade, da saúde do nosso estado mental, da fase em que estamos na nossa vida, das nossas responsabilidades, dos nossos recursos, da rede do apoio, entre família, amigos e colegas, entre tantos outros (muitos provavelmente nem me passam pela cabeça). a jornada será diferente para cada um de nós, assim como a forma que escolhemos percorre-la.

pessoalmente, notei que houve um período de “habituação” à ideia. precisei de uma semana para colar os cacos todos e meter as ideias em ordem, até sentir que estava de volta ao caminho. a partir daí, encarei este "contratempo" como todos os outros na minha vida, com muita descontracção e estupidez natural. e curiosidade.. OMG, tanta curiosidade!

uma coisa é certa, assim que recebemos aquele diagnóstico, a nossa vida nunca mais será a mesma. a cabeça flip'a, e há muita coisa que vai mudar lá dentro. começamos a ver a vida por outra perspectiva, as nossas prioridades mudam repentinamente, deixamos de dar valor a umas coisas e passamos a dar a outras, ganhamos calma para umas coisas, e urgência para outras. acho esta reacção espontânea à doença imensamente interessante.

mas temos que falar sobre a ansiedade...

nos últimos anos, fui aconselhada várias vezes a fazer medicação para controlar a ansiedade, mas sempre achei que dava conta do assunto sozinha, e nunca levantava as prescrições de químicos manhosos. tenho-a colada a mim desde que me conheço, e a bem ou a mal consigo ir gerindo as crises.

só que desta vez, deixei a cadela tomar conta de mim de tal forma, que me assustou a sério. o estrago que fez em apenas 2 semanas.. não conseguia dormir por causa das insónias, se fechasse os olhos durante duas horas por noite, era milagre; não conseguia meter nada no estômago, perdi 4kg assim de rajada; andava toda baralhada das ideias; praticamente não conseguia funcionar. pela amostra, achei que não ia conseguir sobreviver àquela provação sem uma ajudinha química. safoda.

na manhã seguinte ao diagnóstico, às 8 da manhã, estava sentada em frente ao psiquiatra, disposta a alinhar em tudo o que tivesse que ser.

acreditem quando digo que foi a melhor coisa que fiz por mim neste processo todo - aliás, foi a melhor coisa que fiz por mim nos últimos anos. se soubesse o que sei hoje, já tinha mandado a ansiedade c'os porcos há muito mais tempo. hoje (e já na fase de descontinuação), sinto-me muito melhor do que estava, antes daquela salgalhada toda sequer começar. praticamente um ano a viver sem ansiedade nem ataques de pânico, algo que eu não sabia o que era. e sabem que mais? é MUITO fixe!

cada caso será um caso. sempre ouvi dizer coisas horrendas sobre este tipo de medicação, e tinha-lhe um medo de morte. mas vai-se a ver, e não tive problemas nenhuns com ela. os poucos efeitos secundários que tive, não eram nada de especial - e um deles é bem fixe, os sonhos. sonhar tornou-se numa experiência cinematográfica brutal. se conseguisse gravar as merdas que sonho, era com cada blockbuster que a esta hora estava a nadar numa piscina de notas. bottom line, estou-lhe imensamente grata pela ajuda que me tem estado a dar.

(btw, não digam coisas lamechas aos médicos, que eles anotam tudo na nossa ficha e outros lêem, e vamos apanhado umas vergonhas aqui e acolá muhahahah)

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tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

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