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lost in wonderland

lost in wonderland

Sempre a aprender

Junho 11, 2019

numa conversa sobre as formas masculinas e femininas das palavras, a minha sobrinha de 12 anos, sai-se com esta:

"eu não acho que faz sentido dizer "obrigada" nem "obrigado", por isso digo obrigade!"

🤯

eu, que não atino nada com a flexão de género, não só fiquei surpreendida, como concordei totalmente com a alternativa que ela arranjou. nunca me tinha ocorrido tal coisa.. de facto, parece-me uma forma muito porreira para acabar com os os/as que me irritam tanto a escrever, e os xs ou @s que não acho nada elegantes.

por isso, se de hoje em diante, lerem por aqui palavras com género terminadas em "e", não se admirem 🙃

Lost in... Paris

Junho 10, 2019

vou já tirar aqui uma coisa do caminho - nunca tive grande interesse em conhecer paris, não era uma cidade que me seduzisse, e à parte da torre eiffel, não tinha mesmo curiosidade... mas fomos convidados para participar numa hackathon lá, com todas as despesas pagas. era parva se recusasse.

tão, já que íamos para lá, vamos aproveitar o fim de semana para conhecer um bocadinho da cidade, né?

foram cinco dias, e muita sola gasta. a mi band diz que dei 71 mil passos, qualquer coisa como 46km. mas a verdade é que voltei de lá a pesar 1kg a mais. croissant much? é uma possibilidade 🤔 se bem que os croissants tugas dão 15 a 0 aos franceses!

marquei algumas cenas no mapa, que até fazia questão de ver ou fazer, mas não fiz trabalho de casa nenhum. nem sequer sabia que titulo de transporte era o mais adequado para uma estadia de 5 dias. havia de correr bem. lol

voamos pela transavia, para orly. à chegada não deu para reparar, mas ao regresso deu para perceber porque é que está quase em último lugar na lista dos piores aeroportos do mundo. fora a falta gritante de transportes públicos para lá e as poucas opções para comer, as instalações até são porreiras, mas em termos de organização, fiquei com a impressão que é uma anedota. mas lá chegaremos.

nas duas primeiras noites, ficamos num ibis perto da praça de la bastille, que até não foi mau de todo. para as outras duas em que estávamos por nossa conta, encontramos um hotel engraçado e relativamente "barato", no bairro de pigalle, que tinha muita coisa marcada no mapa naquela zona.

estávamos à espera de um quarto minúsculo, colorido, com uma varanda típica, mas quando nos apresentaram as nossas instalações, no rés de chão e sem varanda, não era bem aquilo que tinhamos em mente... entramos para uma sala de estar, com um sofá em pele enorme; seguia-se o quarto, com as paredes pintadas de escuro, cama king size, e o tecto por cima dela salpicado de leds a imitar estrelas; e por fim a casa de banho, que devia ser maior que os quartos normais do hotel, e tinha uma banheira de SPA (que lhe demos uso, POIS CLARO!!).. a nossa reacção àquele cenário foi, "o..k.. este quarto já viu coisas......." 

tinha 3 TVs - uma na sala, outra no quarto, e outra no wc, voltada para a banheira... um número perturbador de caixas de kleenexes espalhadas pela sala e quarto.. e estava preparado para 4 pessoas... bom, ninguém te mandou escolher um quarto no distrito da luz vermelha lá do sitio LOL
uma diária naquela suite é mais cara que aquilo que pagamos por duas noites. overbooking is a bitch muhahahah

a parte da hackathon foi fixe, estávamos distribuídos por equipas constituídas por pessoas de vários países e valências diferentes, com um objectivo em comum. tudo malta fixe. e duas jantaradas valentes. de resto, aproveitamos todos os minutos livres para desbundar pela cidade, de dia e de noite. mas lá chegaremos. 

fiz umas compritas interessantes. felizmente que espaço livre na mochila era muito limitado e não dava para abusar. e tinha sido TÃO fácil loll

atacamos uma livraria japonesa e foi impossível sair de lá de mãos a abanar. trouxe um livro de kanji assim pró grosso, e tive que invocar o meu mantra de SOS "eu consigo viver sem isto" até às exaustão, para resistir ao artbook do 30º aniversário de dragon ball 😞

batemos as todas lojas geeks, cheias de merchandise de anime e manga perto da avenida da republica lá do sitio, onde há disso porta sim, porta sim. e omg, foi uma experiência TÃO DOLOROSA não sair de lá carregados de figuras e t-shirts e peluches e tantas outras merdelices.

ia perdendo a carteira cabeça na uniqlo (quando é que crls abrem uma loja cá??), ainda vim de lá com uma carga valente, a minha mochila ia rebentando as costuras muhahahah

para além do francês, que já estava bolorento mas sempre ia servindo para comunicar, quem se fartou de dar à língua em japonês foi o homem (montes de japoneses em paris, parece que têm uma pancada pela cidade). não perdia uma oportunidade, e ainda foram umas quantas, entre o restaurante de ramen, a livraria japonesa, e uma rapariga que encontrou num café.
já tinha lido, e testemunhei: só depois de tentarmos arranhar francês e eles/nós não percebermos é que fazem um esforço, fónix.. eu cá nunca faço cara feia quando um cámone fala comigo em inglês 😠

tivemos uma demonstração da cortesia francesa (NOT!!), apesar dos nossos esforços para falar a língua, e ser cordiais. ao comprar um pack de 10 bilhetes de metro, a puta da máquina só deu 8.. e o sacana no fulano que estava no guiché ao lado, a dizer que era impossível, como uns modos como se o estivéssemos a tentar engrupir. grande cabrão. entretanto li outras experiências com este tipo de bilhetes.. não fomos os únicos a ter sarilhos com eles, e com o atendimento humano no metro. pqp...

houve coisas que gostei, e houve coisas que não gostei. não fiquei com particular vontade de voltar lá tão cedo, mas já aprendi que nestas coisas não vale a pena deixar nada escrito na pedra. não me senti particularmente segura em certas zonas. nunca andava com nada à vista e mesmo assim tive receio de ser assaltada. 

mas vá.. correu tudo bem, e não foi mau de todo.

Shit just got real

Junho 06, 2019

mandaram-me fazer o internamento no dia anterior à cirurgia, porque tinha que meter o arpão logo às 8 da manhã, e não podiam haver atrasos. então nesse dia, às oito da noite, lá estava eu, bem mandada, a fazer check in no hospital, acompanhada pela mãe, a sis, e o homem. se calhar estava um nadinha excitada com aquela história toda, mas.. OPÁ!! era a minha primeira experiência de internamento, era compreensível.

entretanto vieram buscar-me, e subimos todos até às minhas instalações designadas. quartinho só para mim, super confortável, vista fixe, casa de banho privada. já tive alojada em hotéis bem piores. de vez em quando aparecia uma enfermeira como uma qualquer tarefa, depois apareceu o jantar, e por volta das dez da noite, a minha tropa retirou-se para ir jantar também.

depois de jantada, acomodei-me confortavelmente na cama, e dividi-me entre trollanço pelo whatsapp e fazer zapping na tv. acabei a noite a trocar mensagens com uma colega, a tecer comentários sobre o programa dos nus, que estava a passar na sic radical lol

no dia seguinte, às 7h45, depois do banho tomado e vestida de acordo com o dress code que a ocasião requer, fui rebocada na minha rica caminha até onde? isso mesmo, ao gabinete da mamografia.

arpão1, yey.. as histórias de terror que li sobre isto.. tão bora lá, nesta altura já estava a sentir-me uma experiência científica, não havia nada que me incomodasse. tudo a que tenho direito, né?

a médica que me colocou o arpão (ou melhor, arpões, que foram dois) era impecável e super bem disposta, mesmo àquela hora cruel. as piadas saiam de rajada e sem filtro. tipo, que aquele procedimento tinha um nome apropriado, afinal iam à pesca dentro da minha mama, ou por ter dois arames espetados na mama, ou com a radiação da máquina. a médica também contava umas histórias interessantes. depois, estava sempre a tentar ver o que estavam a fazer, e fazia as perguntas e os comentários mais parvos que me conseguia lembrar. era uma galhofa naquele gabinete que só visto, toda a gente se ria.

eu não levo nada na vida a sério, porque é que haveria de levar isto a sério?

aquele procedimento, apesar de parecer um bocado medieval, também é interessante q.b. começaram por colar-me uns chumbinhos no peito, para ajudar ao posicionamento dos fios. talvez porque a anestesia local não pegou logo, a primeira picadela da agulha por onde o fio é introduzido doeu, mas nada que uma dose extra de anestesia não resolvesse em segundos. depois a mama é caçada no mamógrafo, e o fio metálico é orientado até local certo por estereotaxia2.

por esta altura, eu e o mamógrafo já éramos como unha e carne. era a 5ª vez no espaço de um mês que tinha contacto íntimo com ele. há casais que pinam menos que isso!

o número acumulado de disparos? over 9000!

não senti nada durante a colocação dos fios, e também não achei que fosse um bicho de sete cabeças.. ainda que, vá! ver arames a sair-me duma mama seja uma visão um bocado marada. no final foram todos arrumadinhos, e tapadinhos, e não se via nem sentia nada. mas não podia mexer-me muito, não fosse aquilo sair do lugar.

entretanto fui devolvida para o quarto.

a cirurgia estava marcada prás 10h30. foram-me buscar para a sala de transfer do bloco operatório seriam dez e pouco. eu, que tava meio adormecida por causa das drogas boas que me tinham dado de pequeno-almoço, acabei por arrochar e só acordei quando os enfermeiros me foram buscar para a cirurgia. era meio dia. não dei por nada. also, ninguém se calava com o dia da isa lol

eh agora crl!! vou entrar numa sala de cirurgia, e vou levar anestesia geral pela primeira vez na vida. será que vou acordar a meio da cirurgia? ou fazer uma mija sem dar conta? será que vou acordar toda grogue da anestesia e desatar a dizer coisas parvas, e depois não me vou lembrar de nada? o meu único receio era mandar uns piropos bem labregos ao enfermeiro jeitoso que fazia parte da equipa. mas se mandasse, bom.. quem fala a verdade não merece castigo, né? muhahahah

lembro-me de ter reclamado que a marquesa era desconfortável. lembro-me que a sala estava gelada, e não parecia ser um sitio particularmente interessante para trabalhar. e que haviam várias de pessoas atarefadas à minha volta. entretanto apareceu a cirurgiã (a minha médica de senologia) e perguntou-me se estava pronta praquilo, depois o cirurgião plástico, que deu-me um afago no ombro e disse que ia correr tudo bem, depois a médica de anestesia disse para pensar em coisas boas. e eu, whaaa… puf, já foste!

nem deu tempo a pensar em nada, bah..

acordei às duas da tarde, no recobro, com o homem ao meu lado. yay, I’M ALIVE!!

mas... nada de moca esquisita por causa da anestesia, só uma pedrada de sono tão grande que mal conseguia manter os olhos abertos. entretanto devo ter fechado os olhos outra vez, e quando os voltei a abrir, estava de volta ao quarto. reparei que não estava vestida com a bata descartável com que entrei prá cirurgia, algures durante a moca, trocaram-me as vestes, para umas mais confortáveis. foooooonix, ainda bem que fui iluminada com a ideia de ir à depilação uns dias antes!! 

foi um entra e sai naquele quarto a tarde toda, entre médicos, enfermeiras, e visitas, que eram raros os momentos que conseguia descansar. tive alta no mesmo dia, mas como estava super zonza, e nunca mais conseguia ficar decentemente acordada e com energia para me por a mexer, acabei por ficar uma segunda noite. foi fixe para meter os sonos em dia, depois de tantas noites de insónia seguidas. dores devido à cirurgia, não as tive.



1 arpão é uma técnica utilizada para localizar as lesões que não são palpáveis, e serve para guiar o cirurgião até ao local da área a remover. é um fio metálico muito fino, introduzido através de uma agulha posicionada na direcção da lesão. a ponta do fio em arpão mantém-no fixo no local onde é colocado. o procedimento é feito sob anestesia local, pouco antes da cirurgia, e o fio será retirado durante a cirurgia. ler mais sobre o arpão em português / inglês

2 esterotaxia é uma técnica que utiliza um sistema de coordenadas tridimensionais, para localizar com precisão alvos pequenos dentro do corpo, que necessitem de intervenção médica. no caso das biópsias e colocação do arpão na mama, é utilizado o mamógrafo.

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#12   #11   #10   #9   #8   #6   #5   #4

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