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lost in wonderland

lost in wonderland

RoboC...rap

Fevereiro 17, 2014

quando soube que a heresia que se seguia era com o robocop espumei-me toda com a raiva que aquilo me deu.. não bastava já o desastre com o total recall? mas o que é que deu nesta gente, para andarem a arruinar os ídolos de juventude duma pessoa assim, sem pedir licença? HUMPF.. 

disse logo ao homem nem morta m’apanhava a ver aquilo no cinema, mas entretanto mudei de ideias - não me apeteceu ter de esperar meses para poder achincalhá-lo como sucedeu com o outro. 

tão na sexta, como parte do programa de s. valentim, e depois de um delicioso repasto de peixe cru (finally), fomos enfiar-nos numa sala de cinema para ver o que vinha dali. 

(e para quem ficar a pensar "xii.. com tanto filme romântico para ver nessa noite, foram escolher uma porcaria dum filme com robots e explosões" é porque não leu este post :D)

desta vez não fui às escuras. não consegui resistir e andei a empanturrar-me com spoilers, criticas, discussões e o caneco, sabia perfeitamente o que me esperava. e acabei por sair do cinema não chateada, mas sim com pena do filme.. não sei o que é pior. 

é impossível não entrar em comparações, têm simplesmente demasiadas semelhanças.. mas este é tão tenrinho, coitadinho.. parece uma adaptação estilo disney, para vendê-lo à audiências mais jovens ou sensíveis.. até o "motherfucker" do samuel l. jackson foi censurado.. tipo.. porqué que raio metem o homem no filme se ele não pode mandar caralhadas? does not compute.. se o robocop original tivesse sido igual a este, muito dificilmente se teria tornado no filme de culto que é hoje, que décadas depois ainda mexe tanto com os fãs..

 

ah e tal, vamos refazer o filme, mas em vez de porradaria de criar bicho durante duas horas, vamos antes dedicar-nos a explorar o lado humano da máquina. é capaz de ser interessante.

 

NOT!

 

desculpem lá.. outros até poderão, mas eu não estou realmente interessada no lado moral e ético da coisa, no funcionamento da máquina em si, nos seus dilemas e crises existenciais e muito menos na reação da família.. eu quero ver o que é que ela é capaz de fazer, a sua tecnologia, as suas potencialidades em combate, a sua resistência. não se necessita de levar uma dose de antidepressivos para ter sonhos agradáveis.. para depressiva já basta a vida real!

 

no original, não houve tempo a perder. a família foi deixada completamente de parte porque o humano estava oficialmente morto, e como era "propriedade" da policia, que por sua vez era "propriedade" da OCP, os gajos pegaram no que restava do fulano, enfiaram-no na máquina e apagaram-lhe a memória à má fila e siga para bingo. foi cruel e desumano, e quando ele começa a aperceber-se daquilo que lhe aconteceu, é um dos momentos mais intensos do filme. um momento que nos faz desejar que ele comece a partir aquela merda toda e a não deixar ninguém em pé!

 

no remake, o homem não chegou a ser declarado como morto, não lhe apagaram a memória nem lhe esconderam o que estava a acontecer, e a família foi envolvida em vários níveis. foram minutos intermináveis de lengalenga e impasses, à espera que a verdadeira acção começasse.. 

 

tão mas este robocop anda à batatada ou não?

 

bom, mas e às tantas lá metem o moço de metal a perseguir os maus da fita.. pena que nessa altura já estava tão aborrecida que não consegui ficar entusiasmada. 

 

o ambiente do original é sombrio e decadente. mostra-nos uma sociedade degradada, corrupta, e tão completamente assombrada pelo crime que a policia não tinha capacidade para mais. era preciso um milagre para limpar aquilo..

neste, o cenário é pretty much o que temos hoje em dia, e para além de motivos económicos, não havia grande justificação para a insistência da corporação em querer meter robots a patrulhar uma cidade onde a policia parecia ter tudo sob controlo.

 

o único ponto realmente em comum entre os dois filmes parece ser mesmo a corporação gananciosa. os motivos que levam à construção do robot-policia são diferentes, assim como a perspectiva cientifica de todo o processo, e até a forma como adquirem o "voluntário" para a execução do protótipo. existem umas cenas inspiradas ao de leve nas originais, como a perseguição do vilão que tentou matá-lo, tiroteios em instalações abandonadas, a rusga na fabrica de droga, o confronto com ED209’s, e o CEO ir c’os porcos quando se tentava esquivar à responsabilidade. consegue-se notar outras referências, mas aí já é estar a ser muito picky lol 

 

ainda assim, a malvadez da OCP não se compara à da OmniCorp, e o sellars é um menino do coro comparado com o dick jones, e bem vale a pena perder tempo a comparar o boddicker ao vallon, estão em dimensões completamente diferentes (porra que até mesmo os vilões de hoje em dia são uns cagadinhos :P)..

 

mas pronto, eram outros tempos. não sei quais eram as preocupações sociais de há 30 anos atrás que eles procuraram satirizar no filme, à parte dos executivos manhosos e das jogadas de poder e domínio, neste foi claramente a questão da produção tecnológica ser toda made in china, na manipulação feroz dos média, no poderio militar e na propaganda americana do costume.

 

mais..

 

se o gore é dos elementos que marca o original, no remake é quase uma miragem.. nem sangue se lhe vemos a cor, muito menos pessoas a serem metralhadas barbaramente.. a única cena gore-y é quando desmontaram a máquina e mostraram o que tinham aproveitado do homem.. e a história da mão ter ficado? muito, muito má. parece quase que está a mandar uma indirecta ao original.. e serviu para o meu cérebro começar logo com ideias disparatadas, tipo.. mão, mulher horny.. :D 

não tou a ver o padilha a fazer filmes para crianças, mas vá.. imagino que os constrangimentos e imposições dos estúdios tenham algumas culpas no cartório..

 

até o icónico "canhão" que é utilizado pelo meio-homem meio-máquina, levou um upgrade fatela: dispara balas para atordoar.. what? the? fuck? chuck, is that you? O.o

 

um dos one-liners mais marcantes do primeiro, o "dead or alive you’re coming with me" quase que passa despercebido neste e a forma como foi usada não tem qualquer significado. era um trademark do humano, que sobreviveu à transformação em cyborg e ajudou mostrar que ele mantinha uma réstia de consciência e a partir daí começar a aperceber-se que havia qualquer coisa que não batia certo, e que ele era mais do que aquela máquina bojuda.

este moço nem sequer chegou a usar a expressão antes de ter sido desmembrado bahhhhh!!

 

vá lá que a do "i’d buy that for a dollar" até nem foi mal aplicada..

 

utilizaram fragmentos da épica banda sonora original, mas foram tão mal aproveitados e passaram tão despercebidos que mais valia terem estado quietos :P

 

veredicto: a essência do original passou completamente ao lado.. sem vilões dignos de registo, sem toda aquela violência gratuita e destruição sem limites, sem sangue a jorrar por todo o lado, sem palavrões disparados de rajada e humor negro, o robocop é apenas um filme politicamente correcto e aborrecido. se o outro deixou-nos vários momentos absolutamente memoráveis e inesquecíveis, este não tem nenhum que consiga realmente sobressair.. daqui por umas semanas já não me vou lembrar de grande coisa dele :/ 

 

sabem o que é que me incomodou mais no filme? o gajo ter ficado a dever uma queca à mulher.. não se faz isso a uma pessoa :P

 

anyway, o total recall já foi, o robocop já foi, quando é que anunciam o remake do starship troopers mesmo? verhoeven, andam obcecados por ti lá por hollywood, hem! XP

'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mIRC.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e (sempre que a preguiça não a impede) gosta praticar exercício físico.

mantém uma pequena bucket list de coisas que gostava de fazer nos entretantos.

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
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