Isa dá corda aos sapatos II

ontem tava uma noite tão boa, que caguei pró ginásio e fui dar uma corridinha na rua, aproveitar para fazer um test drive à musculatura do core desenvolvida graças ao trabalho árduo da PT :D

vesti o equipamento, tirei os ténis de corrida do mofo, enfiei-me no corta vento, e lá fui eu. só não levei música porque não tenho nenhuma armband onde enfiar um telemóvel de 5.5".

a última vez que corri na rua foi há dois anos e meio. já me tinha esquecido do quanto agradável é, em noites mornas, com um ventinho bom a soprar. não me quis esticar muito, pois não sabia como é que o corpo iria reagir, até porque correr na rua é um bocadinho diferente que correr numa passadeira no ginásio. fui nas calmas, a apreciar a noite, a certificar-me que respirava calmamente, a testar a passada e o comportamento das pernas e dos joelhos, notar se apareciam dorzitas. tudo ok. no final nem estava muito ofegante e recuperei rápido.

fiz 3km sem pausas, com uma média de 8 min/km, um bocadinho longe dos 6 min/km que já conseguia no último registo que tenho, mas a coisa há-de-se recompor :)

cheguei a casa, estiquei o tapete na sala, apaguei as luzes e ainda fiz meia-hora de yoga. bliss!

24 de Abril de 2018, às 14:00link do post comentar(2)

23 de abril

eis que ao 113º dia do ano de dois mil e dezoito, finalmente saí à rua de t-shirt vestida 🎉

23 de Abril de 2018, às 20:45link do post comentar ver comentários (3)(3)

Ali prós lados do Beato

há umas semanas fizemos uma viagem debaixo de um temporal medonho, e ao passar por cima dos lençois de água que se formavam na estrada, o sacana do carro apetecia-lhe dançar. ficou decidido que tava na altura de levar sapatos novos.

pelo estado da coisa, seriam os quatro. uns porque estavam carecas, apesar de "só" terem 4 anos e 75 mil km, e os outros que apesar de ainda terem bom aspecto, já levam 7 anos e 120 mil km no cardado.. pneus é um tema sério, tenho um medo brutal de ter um acidente causado devido a um rebentamento, ou falta de aderência.

decidimos o modelo e tratei de identificar umas quantas oficinas para pedir orçamento, já a contar que o entreposto não tinha preços interessantes. ao homem coube a tarefa de pedir os orçamentos. meia hora depois tínhamos três valores muito díspares, sendo que um deles não dava grandes hipóteses aos outros.

o cascas vai a revisão, e ficamos a saber que só é necessário trocar dois, os outros ainda estão ali pras curvas. fuck yeah!! e como esperado, não tinham preço para nós, substitui-los lá ficava em quase 80€ mais caro que o nosso melhor orçamento, PQP!!

tão lá marcamos o serviço, e no dia seguinte deixei o homem na piscina e fui tratar do assunto. tive uma experiência deveras interessante naquela manhã.

cheguei uns minutos antes da hora, a tasca ainda não estava aberta. fiquei à espera no carro, num sitio onde não era suposto estar estacionada, mas os dois policias que estavam a uma dezenas de metros de mim, não me mandaram sair dali. a área estava toda vedada ao trânsito, o motivo não descobri. entretanto aparecem dois homens em cena, um com uma certa idade, e outro mais novo, e começam agilmente a abrir as portas do negócio. percebi logo porque é que só funcionam com marcação, são apenas dois mecânicos, e o espaço é realmente pequeno, só cabe um carro lá dentro. ainda assim, parece cuidado, nada a ver com aquela oficinas escuras e gordurosas, e cheias de tralha que até assusta entrar.

nisto, o senhor mais velho vem ter comigo, assumindo que sou a marcação das nove e meia. confirmo. sem mais conversas, tira-me o carro e leva-o para a pequena garagem.

fiquei à porta. entretanto uma senhora já duma certa idade vem ter comigo, a pedir-me para ir lá dentro dar umas informações para o seguro dos pneus. dou dois passos até ao pequeno cubículo que funcionava como escritório, onde estava uma rapariga mais nova, e começo a responder às perguntas. a azafama em redor do carro era intensa, e muito bem orquestrada.

pela familiaridade do trato entre os funcionários, apercebo-me que as duas pessoas mais velhas são marido e mulher, e a rapariga que estava de volta da papelada era a filha. só não apanhei se o homem mais novo era filho ou genro. ah.. got it, é um negocio familiar! que giro, pensei que este tipo de negócios já não existia em família, pelo menos em lisboa... mas... não parecia que estava em lisboa, mas sim numa terrinha qualquer. é o encanto dos bairros, perdemos a percepção que estamos numa grande cidade. pairava naquela desafogada praceta um sossego desconcertante. ouvia-se tão bem a passarada a chilrear, que enchia a alma. fechava os olhos, a absorver os raios de sol que conseguiam furar pelas nuvens, enquanto me deliciava com a melodia das aves.

enquanto esperei pelo serviço, a oficina recebeu várias visitas, mas nenhuma delas humana. primeiro apareceram dois cãezitos, daqueles que cabem num bolso (pequinês, i'm thinking), sem dono à vista. pararam à porta, com ar muito sisudo e atento, de quem estava ali certificar-se se ninguém metia a pata na poça. uns minutos depois piraram-se sem prestar cavaco a ninguém.

pouco depois aparece um segundo cão, de porte médio e pêlo raso, muito elegante, e muito mais simpático que o par anterior, também sem dono à vista. meteu-se com o mecânico sénior, que fez uma grande festa quando o viu, e mandou-o ir ao pequeno escritório cumprimentar o resto das pessoas. bem mandado, o canito contornou o carro e foi lá ter. mal entrou foi tratado como realeza, todo apaparicado. pouco depois, também bateu retirada. provavelmente tinha outras quintas para ir visitar naquela manhã.

logo de seguida entra pela oficina a dentro, como quem é rei e senhor do pedaço, um gato laranja, de pêlo curto e esguio. sabia exactamente onde tinha que se dirigir - ao pequeno escritório, onde foi recebido de forma bastante efusiva. deu e recebeu mimos, e andava por lá como se aquilo fosse tudo dele, como é apanágio dos gatos. entretanto decorreu um debate ente os funcionários, sobre se o bicho havia de receber ração ou saqueta. depois de comer, ali ficou, no escritório, enfiado dentro de uma caixa.

nenhum destes animais pertencia à família, mas eram recebidos como família e tratados com requintes de realeza. estas coisas dão-me apertos no coração.

o serviço demorou cerca de meia-hora, e foi absolutamente eficiente e profissional. e o preço foi muito em conta. saí de lá com um sorriso rasgado, e não foi só porque parecia que vinha a conduzir um carro novo (pneus novos é como ténis novos, é uma sensação de leveza do caraças). foi tudo o resto. do ambiente, às pessoas, aos visitantes de 4 patas, ao serviço, e ao preço.

also, espero que a nossa opção de pneus tenha sido feliz.

22 de Abril de 2018, às 19:15link do post comentar ver comentários (2)

Dia 5 // de Castelo Melhor a Longroiva

acordar com uma paisagem daquelas a entrar-nos pelo quarto a dentro é qualquer coisa.. e a calma daquele lugar? ficava na boa uma manhã (ou a tarde) inteira sentada na varanda, ou no sofá ao lado da janela, a ler um livro ou simplesmente a perder o olhar na paisagem.

douro

mas o melhor de acordar ali ainda estava para vir: o pequeno-almoço.. zomg.. clássico brunch de instagram, totalmente obsceno.. e delicioso!! enfardei até ao limite do estômago.. e mesmo assim sobrou mais de metade daquele banquete. podia não ser buffet, mas não faltava ali nada, o que não estava na mesa vinha da cozinha a pedido, e feito na hora (ovos, bacon, etc).

pequeno almoço banquete

aproveitamos o quarto até à hora de check-out e depois fomos dar um longo passeio pela quinta, até à beira do douro, depois pelas vinhas. a ventania era de tal forma potente que o rio parecia correr ao contrário. seria um dia impecável, se não fosse pelo vento..

casa do riodouro douro
quinta do vallado quinta do vallado
linha

a casa do rio é um daqueles sítios que não vou dizer "temos que lá voltar", vou dizer "vamos mesmo lá voltar", aquilo é um paraíso!

este é aquele dia das férias que deixo sempre em aberto, para dar margem a improvisos e surpresas. ou seja, não sabia onde e como iria acabar, se em casa, se num ponto qualquer ao calhas no mapa. opções eram mais que muitas, que ganhasse a melhor ideia!

ainda assim, queria passar por uns quantos sítios. portanto deixamos a casa do rio com destino a barca d'alva, logo ali ao lado, e pelo caminho mais curto. ainda parei para mirar o castelo de castelo melhor, mas para visitá-lo iria precisar de pelo menos uma hora, então deixei-o para a próxima visita... daquelas decisões que na hora parecem bem, mas depois uma pessoa arrepende-se e já é tarde demais, oh well..

ia tão fixada na paisagem, que deixei passar o desvio e fui parar à estação ferroviária de almendra. tipo.. de que servia uma estação no meio no nada, a km's e km's da povoação mais próxima? se calhar até se percebe porque é que aquele troço todo de linha férrea está desactivado..

douro douro

voltei para trás e lá encontrei o desvio que queria. não havia indicações, e os meus piores receios iam-se concretizar. através do google maps dava para ver que era um caminho agrícola de terra batida, mas eu tinha esperança que aquelas imagens de satélite tivessem altamente desactualizadas, e que a estrada entretanto tivesse sido asfaltada (a esperança é a ultima a morrer, certo?)... ou o google não me teria metido por lá? ou teria, à luz da minha suspeita que ele conhece o perfil de estradas onde costumo andar?

google, enquanto eu tiver o cascas não me mandes por estradas de terra batida, ouviste??? o bicho já não tem idade para essas farras.

não tinha já tido uma experiência desagradável no dia anterior, querem lá ver.. dispenso outra hoje!! mas a volta que teria que dar, era estupidamente longa e decidi arriscar.. tive sorte que não apanhei muita lama, mas apanhei um susto ou outro com derrocadas e uns ramos derrubados das árvores pelo vento. a puta da estrada parecia interminável, quando voltei a ver o asfalto agradeci ao universo por não me ter pregado nenhuma partida. puf!!

o cais de vega de terron estava bastante pacato, mas o dia não estava grande coisa, acabamos por não ficar lá muito tempo.

despedimo-nos do douro internacional, com um até muito breve, espero, e seguimos para sul, com a aldeia histórica de castelo rodrigo na mira. fiz umas quantas paragens em miradouros, para ir esticando ao máximo a despedida daquela paisagem que tanto gosto.

trás-os-montes

a parte mais interessante das viagens é notarmos a morfologia da paisagem a mudar lentamente. à medida que íamos deixando a região do douro, fomos gradualmente deixando de subir e descer montes, as curvas atenuaram, a vinhas, as amendoeiras e as oliveiras desaparecem do horizonte. blocos redondos de granito, e vegetação rasteira passa a dominar na paisagem.

não me vou alongar sobre castelo rodrigo, vou deixar isso para mais tarde. só tive pena que a tarde estava limpa, mas realmente desagradável por causa do vento e do frio. podia ter apreciado melhor a aldeia e a paisagem.

seguia-se almeida. idem idem, aspas aspas. mais uma vez fomos sabotados pelo vento, que soprava cada vez com mais força. o carro parado abanava por todos os lados, e não conseguíamos estar na rua mais de 5 minutos, por causa do frio e da ventania..

por aquela altura ainda não sabíamos como ia terminar o dia. o hotel que havíamos tentado umas horas antes estava cheio, e ainda não tínhamos tido oportunidade para abrir o booking e analisar as nossas hipóteses. entretanto, e já que estava perto de vilar formoso, aproveitei para ir atestar o carro (eu não resisto muhahahah) apesar de ainda ter 1/4 do depósito.

tava ali, e tava a começar a ficar seriamente dividida... o que é que me impedia de seguir caminho e ir acabar as férias em salamanca? era só uma horinha.. ou então era uma horinha de volta para a zona das duas aldeias históricas que não conseguimos alcançar naquele dia... decisions, decisions... mas o que é realmente fixe, é ter deixado de existir roaming na união europeia, e nós estarmos ali, no estacionamento da galp de fuentes de oñoro, agarrados aos telemóveis, a decidir se havíamos de seguir para salamanca, ou algures nas redondezas de marialva e trancoso, ou para casa.

porque eu estava com medo de rapar frio em salamanca, apesar da ideia de acabar o dia a comer churros com chocolate quente aquecer-me a alma, e porque o homem apanhou um quartinho no longroiva hotel, um dos alojamentos que por acaso considerei para a 5ª noite (mas descartei porque sou parva e liguei mais às fotos que à descrição do hotel), acabamos por voltar para portugal.

uma hora depois estávamos a chegar a longroiva. diz que havia uma piscina exterior com água naturalmente aquecida à nossa espera. e não era mentira, não senhora. eram 8 da noite, cá fora estavam 5ºC, lá dentro 38ºC. que meia hora tão maravilhosa. não há palavras...

o cenário era mais ou menos este,

snow monkey

(macacos da neve a banharem-se em fontes termais a 40ºC, copyright © jigokudani yaen kōen)


já sair da água, com uma diferença de 30 graus para a rua, é que.. FFFUUUUUUU!!!

deram-nos um quartito todo catita, no edifício principal. ficava um bocado afastado da piscina e do restaurante, mas era um preço que não me importei de pagar, pelo charme dos meus aposentos :D. o hotel é composto por um edifício clássico e um anexo ultra moderno, com quartos e bungalows. muito, muito giro, e ainda cheirava a novo. fun fact: o hotel foi desenhado pelo mesmo arquitecto das eco/tree houses do parque das pedras salgadas.

jantamos no restaurante do hotel, comi um polvo à lagareiro impecável. fiquei fã do azeite da quinta vale d'aldeia, cuja produção pertence aos proprietários do hotel.

nessa noite o homem decidiu que queria voltar a fazer geocaching, então passamos o resto da noite a instalar a app e a ver que caches podíamos fazer no dia seguinte. pena não se ter lembrado isto na primeira noite, em melgaço. a quantidade de caches fixes que deixamos escapar, baaaah!

Adeus Victoria

durante muito tempo fui mega fã das hiphuggers de algodão da victoria secret. todos os anos mandava vir um carregamento das américas, porque adorava o fit, o feeling, e os materiais e padrões dos tecidos. as cuecas tinham uma construção impecável. tenho uma vasta colecção, entre pares a uso, e pares que não tenho coragem de usar por serem demasiado bonitos, e que estão novinhos em folha.

só que entretanto a victoria secret começou a preocupar-se mais com desfiles, e pagar ordenados a anjos deve sair caro, porque a qualidade do material tem caído a pique..

notei a mudança há uns 3/4 anos, quando me apercebi que os elásticos tinham mudado, o algodão já não era tão macio, e os padrões começaram a ficar demasiado azeiteiros para o meu gosto. e meti uma pausa nas encomendas.

a última vez que comprei peças da marca foi quando estive em londres, há ano e meio. trouxe de lá aquele que será o último carregamento, se a qualidade não voltar ao que era (e pelos comentários do site, está cada vez pior).. nos pares mais recentes, os elásticos ficaram largueirões em tempo nenhum, o tecido áspero, e perderam a elasticidade toda.. ano e meio e já estão todas a caminho da reforma, quando tenho pares comprados em 2012 ainda estão ali prás curvas, apesar de desbotados.. bah!

portantos, tou com uma crise na gaveta das cuecas.. o meu dilema agora é encontrar uma marca que tenha aquilo que ando especificamente à procura. pela amostra que já tive, ou procurei no sítio errado, ou tou tramada..

19 de Abril de 2018, às 19:50link do post comentar(1)

Dia 4 // de Picote a Castelo Melhor

para compensar o dia anterior, este estava a transbordar. quis descer o douro internacional, e continuar uma tarefa muito interessante que ficou por terminar na outra volta, miradouros. tinha uma lista com seis que queria muito visitar. por azar, foi também o pior dos dias que apanhamos, com chuva, frio, e vento forte. PQP!!

vou reformular, o dia estava verdadeiramente merdoso...

acordamos para um dia cinzentão, bem foleiro. nada fixe quando o objectivo é passear, e mirar desfiladeiros com centenas de metros de altura.

descemos à cozinha para preparar o pequeno-almoço, que só não correu melhor porque estas almas não sabem operar máquinas de café domésticas, e não tinham todas as ferramentas a que estão habitadas para preparar comida, e perdeu-se tempo precioso com os improvisos. enfim, lá se fez, e terminado o pequeno-almoço, subimos para ir arrumar a tralha e metemo-nos a caminho, que se fazia tarde.

estavam previstos seis miradouros. mas como estávamos em picote, mesmo à entrada do caminho que vai dar ao miradouro da fraga do puio, e a meia dúzia de passos de lá, aproveitamos para mirá-lo. o anfitrião da casa tinha-nos dito que aquilo tinha ardido tudo, e que não estava muito bonito de se ver. de facto, até a plataforma em madeira do miradouro ardeu, e estava tudo queimado quase até à água. acho que só não pareceu pior porque o dia estava cinzento, a condizer com a paisagem :(

miradouro fraga do puio

picote tinha ainda mais casas recuperadas que há dois anos, está a ficar um sitio *muito* giro.

dali demos inicio à aventura do dia, seguindo a todo o vapor para nordeste, até aldeia nova / aldinuoba, ver as vistas a partir do miradouro de são joão das arribas.

imponente, para descrevê-lo numa palavra só. se não estou em erro, foi o mais alto dos miradouros que visitamos naquele dia. ali o douro corre numa estreita garganta, de paredes escarpadas ásperas e contornos muito acidentados, e a vista é incrível tanto a montante como a jusante. acabamos por nos demorar, que aquele sitio é de cortar a respiração, e ficamos sem forças para sair dali :D

miradouro são joão das arribas

de seguida fomos até miranda do douro, onde também passamos mais tempo do que aquilo que estava nos planos. não há nada a fazer, que as vistas ali também são impressionantes.

e ainda hoje tenho sonhos húmidos com um palmier coberto com chocolate que comi na pastelaria mirandesa, onde também tínhamos lanchado há dois anos hi hi hi

mais abaixo no mapa, passamos pelo miradouro da freixiosa. nesta altura o vento não estava a facilitar muito a vida, e aquele miradouro não é para fracos do coração lol aqui o douro corre mais à larga, e a paisagem não é tão acidentada, mas não deixa de ser brutal.

miradouro da freixiosa miradouro da freixiosa

seguia-se o miradouro de picões. este era o mais desafiante por causa do caminho até lá. tinha chovido a manhã toda, e a estrada de terra batida estava encharcada, e cheia de depressões profundas causadas por veículos pesados. eu tentei, a sério que tentei. mesmo a arriscar atascar o cascas na lama.

por acaso não me estava nada a apetecer ficar com o carro atascado ali, já vinha há umas boas dezenas de metros com o coração nas goelas por causa disso. evitei vários buracos e poças de água como se fossem minas terrestres, em que uma manobra mal feita e tinha que ir à procura dum velhote com um tractor para me tirar o carro dali pra fora... atirei a toalha ao chão quando aquilo começou a deixar de ser um estradão e transformou-se num rio, e eu falei e disse "nope nope nope.. puta que pariu, caguei!" e não andei nem mais um metro.

e agora, voltar para trás? HA HA HA HA!

o caminho era estreito e murado, só cabia um carro. até conseguirmos inverter a marcha em porto seguro foram uns metros valentes de marcha-àtrás, com uma precisão cirúrgica para o carro não ficar encalhado. isto é material para me dar ataques de pânico instantâneos... quando aquela provação terminou, podia ter deixado o carro estacionado na aberta, e ter percorrido a pé as poucas centenas de metros que faltavam até ao miradouro.. mas o estado do caminho, e a chuva a ameaçar cair, e o tempo precioso que perdemos a não cometer nenhum fuck up com o nosso estimado automóvel, desencorajaram-me de perder mais tempo ali, e quis voltar à segurança do asfalto.

anyway, foi a maior aventura do dia lol

porque já se estava a fazer tarde, também o miradouro do castro castelo dos mouros também ficou para uma próxima, com muita pena minha.

seguiu-se o miradouro do carrascalinho, já sob de uma tarde verdadeiramente desagradável. o sitio é lindíssimo, a vista é desafogada, e as aves de grande porte pairam ali preguiçosamente. interessante que parecem imunes à chuva e ao vento.

por fim, e já quase ao cair da noite, ainda consegui levar-nos ao miradouro do penedo durão. foi o miradouro mais humanizado que visitamos. o acesso é impecável, tem um parque de estacionamento enorme, e montes de espaço para merendas. e tem uma paisagem magnífica, de perder a vista.

na volta anterior, estive parada lá em baixo a contemplar a vista, e a olhar cá para cima, a imaginar como seria fixe subir aquele penhasco, pouco antes de atravessar a barragem que se vê dali, saucelle, para explorar o douro internacional do lado espanhol. diria que é naquele ponto que o douro começa a amansar, e segue um percurso mais calminho até à foz. e é também ali a recta final em que aquele magnifico rio serve de fronteira entre portugal e espanha.

a descoberta do dia é que é possível descer o douro internacional e visitar uma série de miradouros em apenas um dia. basta começar cedo. preferencialmente com colaboração da meteorologia.. fiquei absolutamente fodida pelo falhanço dos dois miradouros, e pelo tempo horroroso que não me deixou desfrutar melhor os que consegui alcançar.. não ha milagres, acontecem sempre falhas nos planos, por melhor que sejam as intenções e a nossa determinação.

dali fomos a todo o vapor para torre de moncorvo, jantar na taberna no carró, restaurante que nos tinha sido altamente recomendado. não havia menu, era sentar e esperar que a comida começasse a aterrar na mesa. e foi tanta a comida, que nós, que chegamos lá mortinhos de fome, às tantas já estávamos os dois a entrar em pânico muhahaha

começou por pão e azeitonas, uma tábua de queijo curado e enchidos, depois uma alheira de mirandela assada nas brasas, depois uma omelete de espargos, depois cogumelos recheados, e terminou com uma bruta posta mirandesa, acompanhada por arroz de grão e salada de azedas. minha nossa senhora da assunção, que puta da barrigada. não sobrou espaço para sobremesas, por mais delicioso que fosse o aspecto delas... saímos de lá a rebolar.

o último salto do dia seria prá lá de vila nova de foz côa, até à casa do rio. havia duas formas de lá chegar: 30km por curvas, ou 35km por estrada direitinha, a duração da viagem era idêntica. a parte chata foi que confiei no routing dos mapas do google, e não é que o cabrão mandou-me ir pela estrada das curvas? cá pra mim, devem ter lá no meu perfil que eu gosto de estradas "cénicas"... só pode!! e acredito que aquela estrada até seja muito agradável de conduzir, pela vista... mas de noite não se vê a ponta dum chouriço.. ainda por cima, curvas era a última coisa que me estava a apetecer depois de uma refeição daquelas, humpf!

chegar até à casa do rio também foi um desafio "interessante". uma sucessão de curvas apertadas, com um declive assustador, e escuridão total. o meu instinto dizia-me que era melhor segurar bem o carro, que o douro corria lá em baixo.. a que altura e distância, era uma incógnita. depois de dois pavorosos km, chegávamos finalmente à casa.

primeira impressão da coisa.. tinha sido mais esperta se tivesse cagado nos miradouros, e fosse directa de picote para aquele sítio. zomg... chegar lá às nove da noite foi um crime!

a melhor descrição que consigo fazer do alojamento é, a casa de campo de alguém com muito bom gosto. e papel. não se pouparam nos luxos. a decoração da sala de estar era de um tremendo bom gosto, numa combinação harmoniosa entre elementos de design moderno e rústico. os tons quentes da fraca iluminação envolviam-se com música chill out, a finalizar o ambiente perfeito. tinha um conforto intimista encantador.

o quarto, dos mais bonitos, confortáveis, e acolhedores onde já dormi. amplo, luminoso, forrado a madeira pintada de branco com um ar de casa de praia, ao fundo uma pequena sala de estar com sofás em pele e uma lareira suspensa, que não foi preciso acender porque o ar condicionado tomava conta do assunto.. e a cama.. uma nuvem autêntica. e tudo salpicado com pequenos arranjos florais silvestres frescos. acho que aquele quarto anda ali taco a taco com a casa da árvore, que só ganha porque é a casa da árvore lol

casa do rio casa do rio casa do rio

só podia ser a recompensa por aquele dia frustrante. quando reservei aquela maravilha, nunca imaginei o que me esperava, as fotos não lhe fazem justiça. 

os anfitriões, de uma simpatia desconcertante. acabamos por ficar até perto da meia noite na sala, entre conversas, chás, vinhos do porto e bolos caseiros.

again, como já vinha a ser trend, e numa rara ocasião (segundo nos foi dito), tivemos a(quele sonho de) casa só para nós :D

 

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Loop do dia XIII

nesta singela faixa, o sr kieran hebden, aka four tet, demonstra-nos que as coisas mais simples da vida, são as mais belas ♥

17 de Abril de 2018, às 21:42link do post comentar

Não cabia mais nada

ele há semanas tão monótonas, que nos arrastamos mortos de tédio à espera que os dias passem, e que o fim-de-semana venha como uma injecção de adrenalina para nos acordar prá vida... depois há outras que parece que não cabe mais nada dentro, como foi o caso desta que está a acabar.

na segunda o dia até foi normal, à noite fiz um treino com a PT que me assassinou as pernas. como não foi tortura suficiente para os meus membros inferiores, ainda me fui montar numa bicicleta estática e pedalei durante 24 minutos, ~8km. no final, fiz 40 minutos de alongamentos/yoga que se souberam bem pa caraças.

na terça levantei-me mais cedo que o habitual para levar o carro à revisão. o dia estava merdoso, e passei a manhã a maldizer a carris e as frequências dos autocarros, mais a informação das carreiras, que é romba que dói XP

ao fim da tarde, novamente a (des)esperar por um autocarro, com tempo absolutamente horroroso e mortinha por chegar a casa, um mitra que também vinha apanhar o autocarro começou a meter conversa connosco. vinha encharcado e começou a desabafar, desde os políticos, à senhora que não lhe deu 50 cêntimos para comprar uma bebida quente, e que a vida tá dura os empregadores pagam mal, e que tava frio mas tinha isolado a barraca com madeira e plásticos e até estava quentinha, e que arrumava uns carritos para pagar o vício, e qualquer coisa sobre a metadona numa esquina em chelas... nesta altura já não estava a processar informação lá muito bem, tal não foi a quantidade de coisas que aquela alma debitou em poucos minutos.. curiosamente não nos cravou dinheiro.. isto levou-me questionar o nosso aspecto, na volta estávamos com ar um bocado chunga.. se calhar até mais que o outro muhahaha

fui ao supermercado, como não tinha carro para levar, apanhei uma ganda molha. bah!

na quarta estive numa masterclass da GEN, por causa de uma hackathon que eu e dois pseudo colegas vencemos em outubro passado, e fomos convocados para apresentar o nosso projecto. odeio falar em público, foda-se. foi na câmara municipal de lisboa, na sala do arquivo. nunca tinha entrado lá dentro, a sala do arquivo é impressionante, estão lá livros com centenas de anos, alguns parcialmente carcomidos pelos bichos, outros quase a desfazerem-se. imagino o valor que não está guardado nas estantes daquela sala... gostei de ouvir o joão vasconcelos a falar sobre impacto do digital em várias industrias, muito interessante, apesar de estar bastante por dentro dos temas que ele falou.

por causa da cena de cima, não tive tempo de almoçar. entrei numa pastelaria, enfiei um pão de leite com queijo e um galão no bucho e fui a correr prá aula de japonês. a aula foi muito focada em kanjijá disse que adoro escrever kanji, não já? descobrimos que afinal não somos os mais velhos da turma, uma colega, que jurávamos a pés juntos que não tinha mais de 37 anos, afinal tem 49... caímos por lado lol

à saída da aula, apanhamos um UBER e fomos buscar o carro ao entreposto, a estalada foi muito inferior àquilo que estávamos à espera, yay. dali fomos a alvalade jantar ao indiano, que ninguém tava de apetites a cozinhar.


na quinta tivemos um astronauta no escritório dar uma talk sobre como é ser astronauta, e sobre a experiência dele nos 200 dias que viveu na ISS. muito, muito fixe!

quando cheguei ao ginásio, não reparei que tinham invertido os balneários, e dei por mim num balneário cheio de gajos lol. no treino anterior a PT triturou-me as pernas, neste triturou-me os braços FFFUUUUUU. no fim do treino, desço ao balneário para ir buscar o telemóvel e os phones. se não tivesse ido ao balneário naquele preciso momento, tinham-me arrombado o cacifo à má fila. cheguei lá e estava uma sócia acompanhada por uma funcionária do ginásio, com um alicate gigante na mão, a preparar-se para cortar o meu cadeado, porque a outra cismou que aquele cadeado era o dela. e não queria acreditar em mim, até que eu enfiei a chave no cadeado e meti fim à questão. saquei as minhas cenas enquanto a outra andava lá dum lado pro outro, à procura do cacifo dela. acontece que era aquele que estava à direita do meu, e cujo cadeado era *completamente* diferente do meu... no fim não foi preciso arrombar cadeado nenhum 😑

na sexta levantei-me novamente mais cedo que o habitual, que tinha que ir à oficina mudar os pneus do cascas. de caminho deixei o homem na piscina, começou a fazer hidroterapia. tive uma experiência bastante interessante na oficina dos pneus, que vou deixar para outro post.

à noite fomos mais uns colegas, jantar num tasco de tapas no barro alto. caro, mas muito fixe. não ganhei nada no eurobilhas, it's true what they say, sexta-feira 13 é mesmo um dia de azar...

hoje vim para os algarves. o dia estava muita porreiro. como não me apeteceu a perder tempo a lavar a roupa suja antes da viagem, trouxe-a num sacalhão para para baixo e à noite fui à lavandaria self-service que me fartei de recomendar, sem nunca ter usado lol fomos jantar indiano outra vez. a minha irmã foi connosco e levou o rebento mais novo, que só sossegou à mesa a ver vídeos de acordeonistas no youtube (o puto tem dois anos e já é super fã da profissão do pai). já vi crianças a ver muita coisa no youtube, bailaricos foi a primeira vez he he he

e a minha mãe acabou de se tornar numa android user. vamos ver como corre a experiência :D

15 de Abril de 2018, às 02:38link do post comentar ver comentários (1)

Abril, séries mil

tradicionalmente, a televisão americana tem duas seasons de séries. a fall season, que começa no outono e estica-se até quase ao final da primavera, e é quando estream as principais apostas dos canais, ou trazem de volta séries com grandes audiências, e com duração de cerca de 22 episodios. como o calendário incluí sempre algumas folgas (hiatus), de modo a preencher os buracos, as estações introduzem séries com metade dos episódios, a chamada mid-season. ora como filler, ora para ver se têm estofo para se tornar numa série maior, e entrar na fall season.


por causa disto, maio acabava por ser uma altura chata, pois andava sempre ali um nervoso miudinho no ar, sobre se as séries que seguíamos iam ter continuidade, ou se terminariam por ali. durante muito tempo, a única coisa que me dava alento no final do verão para receber o outono com os braços abertos, era saber que vinha aí uma porrada de coisas boas para ver na tv. mas isso começou a mudar desde há uns anos para cá...

entretanto o mundo começou a ficar viciado em séries, e o formato que funciona melhor para os papa-séries é o de curta duração, que por ser mais focado, é menos monótono e tem mais qualidade. outra vantagem é que em vez de se arrastar por 7 ou 8 meses, dura cerca de 3 (salvo o netflix e cia., que injecta a series à bruta no nosso sistema e arruína-nos a vida muhahaha), e vemos duas séries/seasons no espaço de uma. also, se não valer a pena, a malta não se chateia tanto com o tempo que perdeu a ver aquilo. 

para alimentar o consumo desenfreado, o calendário deixou de ser rígido, as séries vão sendo lançadas ao longo do ano, sem alturas especificas, tornando quase obsoleta a classificação de mid-season. agora é em todas as seasons, uma alegria!

e eu dou por mim mais ansiosa à espera do ano novo pelo regresso das minhas séries favoritas, do que do outono.. por acaso este ano não aconteceu bem bem no inicio do ano, foi mais no inicio da primavera.

tudo isto para dizer que nestas últimas semanas, regressaram billions, the expanse, e a derradeira temporada de new girl. westworld, the handmaid's tale, e colony estão aí a rebentar. de longe o mês mais rico do ano, serialmente falando. /me bate muitas palminhas. muitas das séries em que me viciei nos últimos anos são filhas da mid-season. podem ser curtas, e deixarem-me a sofrer praticamente um ano inteiro até voltarem, mas valem tão a pena!!

14 de Abril de 2018, às 13:01link do post comentar(2)

Dia 3 // de Pedras Salgadas a Picote

este foi de longe o dia mais preguiçoso das férias. conseguimos uma horinha extra na casa da árvore, e depois do check out demos um passeio demorado pelo parque. estivemos a inspeccionar a "nossa" faia, que infelizmente não parece ter crescido muito.. oh well, pode ser que daqui por 10 anos esteja da minha altura.

primaver hera treehouse

já não conseguimos marcar massagens para aquele dia, mas por volta das três, fomos abancar no spa. estivemos a rodar o circuito da piscina, banho turco e sauna, até começarmos a ficar com a pele das mãos a parecer uma ameixa seca. a minha pele adora aquela água, nas horas seguintes fica sequinha, macia, e luminosa que é um mimo ♥

quando achamos que já tínhamos demolhado mais do que suficiente para um dia, iniciamos lentamente a retirada, para aproveitar bem os últimos minutos ali. de caminho para o carro lanchamos na casa do chá, e despedimo-nos do parque das pedras salgadas.

dali foram duas horas até mogadouro, onde iríamos jantar. tenho a dizer que o IC5 é uma estrada à maneira, tranquila e com umas vistas do caraças. não foi a primeira vez que a cruzei, e vou sempre de queixo caído com a paisagem envolvente.

na lareira, a posta soube-me melhor da outra vez, deve ter dias... e desta não havia salada de merugem, porque o inverno demorou a aparecer.

e como não encontrei nada interessante para pernoitar em mogadouro, fomos dormir a cerca de 30km dali, em picote, aldeia já nossa conhecida do raid anterior. ficamos numa casa típica da aldeia muito, muito fixe, e toda por nossa conta :D 

o quarto era super acolhedor, decorado em tons quentes da terra, e a cama ultra confortável. andávamos a ter sorte com as camas (sim.. este é o tipo de coisa que começa a ganhar muita importância à medida que vamos ficando idosos lol), naice!

 

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'Le me

tem idade suficiente para ter juízo, embora nem sempre pareça. algarvia desertora, plantou-se algures na capital, e vive há uma eternidade com um gajo que conheceu pelo mirc.

no início da vida adulta foi possuída pelo espírito da internet e entregou-lhe o corpo a alma de mão beijada. é geek até à raiz do último cabelo e orgulha-se disso.

offline gosta muito de passear por aí, tirar fotografias, ver séries e filmes, e yada yada, yada... é ler o blog ;)

bucket list

'Le liwl

era uma vez um blog cor-de-rosa que nasceu na manhã de 16 de janeiro, no longínquo ano de 2003, numa altura em que os blogs eram apenas registos pessoais, sem pretensões de coisa alguma. e assim se tem mantido.

muitas são as fases pelas quais tem passado, ao sabor dos humores da sua autora. para os mais curiosos, aqui ficam screenshots das versões anteriores:
#11 #10 #9 #8 #6 #5 #4

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